Duda, que quase derrubou Lula, tem defesa no STF

Juízes da Ação Penal 470, o chamado mensalão, ouvem advogado Luciano Feldens, do publicitário Duda Mendonça; ele fez a campanha vitoriosa de Lula em 2002; na CPI dos Correios, admitiu ter recebido R$ 10,8 milhões no exterior e complicou o então presidente; "ele não é mensaleiro", sustentou Feldens

Duda, que quase derrubou Lula, tem defesa no STF
Duda, que quase derrubou Lula, tem defesa no STF (Foto: Edição/247)
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247 – O homem que ajudou a eleger Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, e que quase o derrubou do poder em 2006, começou a se defender, por meio do advogado Luciano Feldens, no Supremo Tribunal Federal, na Ação Penal 470, o chamado mensalão. "Duda e Zilmar Fernandes não são mensaleiros", afirmou Feldens, referindo-se também à sócia do publicitário. A tese dele é a de que Duda e Zilmar não são responsáveis pela origem do dinheiro que os pagou pelo "mais de 150 programas de televisão". "Parte do pagamento foi recebido em dinheiro que saiu de saques no Banco Rural, e a outra parte em depósitos em conta aberta por Duda em banco em Miami", disse Feldens.

O advogado sustentou que, durante a campanha, acumulando dívidas com fornecedores e profissionais, Duda e Zilmar ficaram preocupados com a demora em receber. Ambos procuraram, então, na narrativa do advogado, o então tesoureiro Delúbio Soares. Com ele, criou-se a fórmula de pagamento. O advogado rechaçou a acusação de lavagem de dinheiro, sob a alegação de que o publicitário baiano recebeu por serviços prestados, além de ter de pagar sua equipe. "O crédito tem origem legal, onde está a conversão do dinheiro sujo em dinheiro limpo?", perguntou, para dizer que não vê essas provas nos autos do processo. "Eles têm um dinheiro limpo a receber, qual o interesse deles em querer receber de maneira ilegal?", questionou Feldens.Na CPI dos Correios, em 2006, Duda Mendonção admitiu ter recebido R$ 10,8 milhões do PT em conta aberta fora do país, a Dusseldorf. Essa afirmação foi desdobrada em investigações que resultaram em fortes questionamentos ao então presidente Lula.

O advogado de Duda afirmou, no STF, que pararia a sustentação se houvesse uma prova de que Duda pediu para receber seus pagamentos pela campanha de Lula no exterior. Ele sustentou que a conta Dusseldorf, que recebeu recursos do Brasil, foi aberta no Banco de Boston, em Miami, em nome pessoal dele, "com carteira de identidade, nome da mãe, prova de endereço", completou Feldens. Acrescentou que, dessa forma, não se caracteria o crime de ocultação de recursos. Para ele, Duda não tinha alternativa para receber da campanha petista. "Foi como ele disse, era pegar ou largar", lembrou. Mas defendeu que não houve pedido do publicitário em receber no exterior. "Está errado o que houve? Está, mas não houve lavagem de dinheiro e ocultação de recursos. Ele tinha direito a receber aquele dinheiro por serviços prestados", argumentou.

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