Dudu escapa, por ora, da polarização PT-PSDB

De passagem por So Paulo, presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, diz que alianas do partido ainda no foram fechadas; lideranas paulistanas preferem Serra, mas Haddad opo em nvel nacional

Dudu escapa, por ora, da polarização PT-PSDB
Dudu escapa, por ora, da polarização PT-PSDB (Foto: HELVIO ROMERO/AGÊNCIA ESTADO)

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, negou hoje que os diretórios estadual e municipal da legenda tenham fechado questão em torno da eventual aliança com o PSDB na cidade de São Paulo para as eleições de outubro, e garantiu que esta definição não sairá antes de junho - mês em que serão realizadas as convenções partidárias. "Este processo não se conclui antes de junho", disse, após participar de palestra na Associação Comercial de São Paulo. "Por que o PSB tem de tomar a decisão agora?", indagou.

De acordo com o líder do PSB, o partido está iniciando o processo de discussão sobre a política de alianças em São Paulo e minimizou a força de sua legenda na cidade, dizendo que ela não tem a força necessária para definir o quadro sucessório na Capital. Campos negou também que tenha feito acordo com a presidente Dilma Rousseff e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o partido apoie o pré-candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad. "Não tem nenhuma decisão preestabelecida em relação a nenhum município, nunca tratamos disso", argumentou.

O governador ressaltou que o PSB tem compromisso apenas com a própria sigla e não com outras legendas. "Quem decide o futuro do PSB é o próprio PSB", reforçou.

Eduardo Campos citou que a política de alianças de seu partido é debatida nas esferas municipal e estadual. E para os municípios com mais de 200 mil habitantes, a decisão precisa ser referendada pelo diretório nacional. Apesar dessa regra, ele negou que exista a intenção de uma intervenção futura em São Paulo, mesmo o partido sendo mais próximo dos tucanos no Estado, enquanto no âmbito nacional, estar mais próximo do PT da presidente Dilma Rousseff. "Ninguém vai impor a ninguém uma posição", frisou.

O governador de Pernambuco chegou ontem (04) a São Paulo e participou de um jantar com o prefeito da Capital, Gilberto Kassab (PSD). Nesta manhã, Campos deu palestra na Associação Comercial de São Paulo, acompanhado do secretário estadual de Turismo, Márcio França, também presidente do Diretório Estadual do PSB, do vereador Eliseu Gabriel, presidente do Diretório Municipal da legenda, além de lideranças do PSD, como Kassab, o vice-governador Guilherme Afif Domingos, e o ex-deputado federal Índio da Costa.

Juntos

O prefeito de São Paulo, que apoia a pré-candidatura do tucano José Serra, disse que torce para que o PSB e o PSD estejam juntos no mesmo palanque, mas que a decisão cabe aos pessebistas. "Eu não participo deste processo de alianças", explicou o prefeito. Kassab disse ainda que está focado na gestão da cidade e que o pré-candidato do PSDB à sua sucessão, José Serra, não pediu para que ele ajude nas negociações para o fechamento de alianças neste pleito. "Minha prioridade é administrar São Paulo. Não fiz essa articulação nem na minha campanha para a reeleição, se ele (Serra) pedir, eu posso ajudá-lo, mas ele não pediu", disse o prefeito, que deixou o prédio da Associação Comercial para almoçar com Eduardo Campos.

Presidente estadual

O presidente do Diretório Estadual do PSB e secretário estadual do Turismo, Márcio França, admitiu que existe uma proximidade maior de seu partido com o PSDB em São Paulo, mas ressaltou que a política de alianças do partido passará pelo referendo do presidente nacional da sigla, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. "O que é certo, é que nossa posição nunca será contrária à do governador Eduardo", afirmou. E lembrou que nos últimos anos nunca houve um processo de intervenção do Diretório Nacional nas instâncias inferiores. "Não é tradicional no partido esse tipo de procedimento", complementou.

O líder do partido no Estado disse, por várias vezes, "que a opinião do governador evidentemente conta", mas que no quadro atual, a sigla caminha ao lado dos tucanos. "O certo é o seguinte: a convivência vai aproximando as pessoas e hoje a gente está convivendo com o PSDB, por conta do governo (Geraldo Alckmin)", afirmou França.

Segundo o secretário de Turismo do governo paulista, antes da entrada de José Serra na disputa, o partido já havia ponderado com Alckmin a possibilidade de não se aliar naturalmente com os tucanos na Capital. "Na época, foi dito ao governador Geraldo Alckmin de todas as nossas dificuldades, caso fosse o ex-governador José Serra o candidato. Que a eleição seria muito nacionalizada", recordou.

França ponderou que o PSB vem costurando alianças tanto com os tucanos quanto com os petistas em todo o Estado. "O quadro estadual hoje está numa engenharia com mais de 50 cidades importantes, a maioria com o PSDB. Mas, temos também relações duradouras com o PT em cidades da Grande São Paulo e do ABC", explicou.

O líder pessebista disse que cumpre uma função política no governo Alckmin e que não teria dificuldade em deixar a administração estadual, caso o seu partido venha a apoiar o pré-candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad. "Naturalmente que eu criei com o governador (Alckmin) uma relação de proximidade política, pela convivência e não vou constrangê-lo e nem ficar constrangido", afirmou.

Na mesma linha do que havia afirmado mais cedo o governador Eduardo Campos, França destacou que os diretórios estadual e municipal da sigla não definiram, ainda, quem o partido pretende apoiar neste pleito, nas eleições pela Prefeitura da Capital. "O quadro estadual e municipal ainda está em processo de evolução", justificou. E revelou que tem simpatia pessoal por Haddad, mas que a situação do PSB hoje é de maior proximidade com os tucanos. "Se for por uma tendência local, o que posso mensurar hoje é uma posição pró-PSDB".

Questionado se o partido estaria disposto a negar apoio ao candidato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, França disse que nem sempre PSB e PT caminharam juntos. "Muitas vezes, a gente pode estar juntos em eleições, mas eu ressalto que a gente não está junto em outras tantas eleições". Para o pessebista, apesar do respeito "ao craque Lula", ele acredita que o ex-presidente saberá respeitar uma posição contrária do PSB. "Ele vai compreender, do mesmo jeito que muitas vezes a gente pediu coisas para ele, que ele não pôde ceder."

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