Eduardo Campos e a "saia justa" dos irmãos Gomes

A movimentação do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, em pleitear a Presidência da República em 2014, tem incomodado o clã cearense da família Ferreira Gomes, que tem nos irmãos Cid (governador do Ceará) e Ciro (ex-ministro) os seus maiores expoentes; caso confirme sua postulação, Eduardo colocará em xeque a aliança mantida a todo custo entre o PSB cearense e o PT, ameaçando até mesmo os planos de permanência no poder da família Gomes, que não possui candidato natural para a sucessão estadual

Eduardo Campos e a "saia justa" dos irmãos Gomes
Eduardo Campos e a "saia justa" dos irmãos Gomes
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Paulo Emílio_PE247- A movimentação do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, em pleitear a Presidência da República em 2014, tem incomodado o clã cearense da família Ferreira Gomes, que tem nos irmãos Cid (governador do Ceará) e Ciro (ex-ministro) os seus maiores expoentes. Caso confirme sua postulação, Eduardo colocará em xeque a aliança mantida a todo custo entre o PSB cearense e o PT, ameaçando até mesmo os planos de permanência no poder da família Gomes que, embora tenha o governador com altos índices de aprovação, não possui candidato natural para a sucessão estadual.

De acordo com o colunista Érico Firmo, do jornal O Povo, a aliança entre os Gomes e o PT local teve início em 2003, sendo puxada pelo alinhamento com o Governo Federal. Esta junção de forças foi abalada nas últimas eleições, quando os Gomes romperam com a então prefeita Luizianne Lins (PT) e lançaram o socialista Roberto Cláudio na disputa municipal. Assim como em outras cidades e capitais, o PT local rompeu com o PSB, muito embora a aliança permaneça em nível nacional, com a legenda integrando a base governista, a despeito das supostas intenções presidenciais de Eduardo Campos.

Caso a candidatura do governador pernambucano seja viabilizada, o rompimento com o PT em nível nacional será inevitável, respingando em cima da aliança mantida arduamente por Cid Gomes. O resultado mais óbvio é um enfraquecimento do respaldo que os Gomes possuem no Ceará e o fortalecimento de seus adversários, entre eles o peemedebista Eunício Oliveira, que apesar de declarar apoio ao socialista sonha em assumir a chefia do Executivo cearense, gerando desconfiança sobre a sua lealdade.

Além disso, tanto Cid quanto Ciro já declararam publicamente que Eduardo não deveria concorrer ao Planalto, não apenas em função do PSB estar alinhado ao PT no plano nacional mas também porque Ciro não esconde a mágoa de não ter sido escolhido para disputar o cargo em 2010, quando o PT elegeu Dilma Rousseff. O clima entre eles não é considerado dos mais amigáveis, tanto que no último pleito municipal nem Eduardo foi à Fortaleza e nem os Gomes o convidaram para participar de nenhum ato político no Ceará.

Já a ex-prefeita Luizianne Lins, que não esquece as bordoadas desferidas pelos Gomes contra a sua administração, torce para que Campos anuncie que será candidato em 2014. Como o PSB teria que romper com o PT, e por tabela este descolamento também se estenderia ao PMDB, Eunício passa a ser o candidato natural para disputar o Governo do Estado contra os Ferreira Gomes ou qualquer um que venha a ser indicado por eles. Neste ponto, Luizianne poderia aliar-se a Eunício – com quem mantém uma relação de desconfiança, mas sem grandes ataques de ambas as partes. Como moeda de troca, ela pediria o apoio do PMDB na eleição em 2016.   

A junção destas duas forças poderia ameaçar os planos de Cid, que hoje comanda o Estado tranquilamente e com possibilidade de fazer o seu sucessor sem maiores empecilhos caso a situação permaneça como está, mesmo que ainda não possua um candidato natural à sua sucessão. Pelo visto, até que Eduardo Campos anuncie se será ou não candidato em 2014, a tensão sobre o futuro político dos irmãos Gomes deverá permanecer elevada.

 

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