Enquanto atletas buscam medalha, dirigentes guardam ouro na Suíça, diz procuradora

Para a procuradora da República Fabiana Schneider, ‘enquanto os medalhistas olímpicos buscam a sonhada medalha de ouro, dirigentes do Comitê Olímpico guardavam o seu ouro na Suíça’.; ela se refere à apreensão de 16 kg de ouro na Suíça por conta da segunda fase da Operação Unfair Play, que investiga a compra de votos para eleger o Rio como cidade olímpica; na operação, foram presos o presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Carlos Arthur Nuzman, e seu braço direito Leonardo Gryner

Presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, no Palácio do Planalto, em Brasília 11/07/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino
Presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, no Palácio do Planalto, em Brasília 11/07/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Charles Nisz)

247 - A procuradora da República Fabiana Schneider, da força-tarefa da Operação Lava Jato, no Rio, afirmou nesta quinta-feira, (05), que ‘enquanto os medalhistas olímpicos buscam a sonhada medalha de ouro, dirigentes do Comitê Olímpico guardavam o seu ouro na Suíça’. A segunda fase da Operação Unfair Play, que investiga a compra de votos para eleger o Rio como cidade olímpica, prendeu o presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Carlos Arthur Nuzman, e seu braço direito Leonardo Gryner.

A Unfair Play chegou a 16 barras de ouro de Nuzman. Segundo a força-tarefa da Lava Jato, no Rio, nos últimos 10 dos 22 anos de presidência do COB, Nuzman aumentou seu patrimônio em 457%. Para os investigadores, não há ‘indicação clara de seus rendimentos, além de manter parte de seu patrimônio oculto na Suíça’.

O MPF afirma que Nuzman declarou a existência de 16 barras de ouro, 1 kg cada uma, que mantinha no exterior, à Receita Federal, por meio de retificação em seu imposto de renda em 20 de setembro de 2017. Quinze dias após a deflagração da primeira fase da Unfair Play. 

Os procuradores dizem que as investigações avançaram de maneira significativa desde a deflagração da Operação Unfair Play, ‘tendo sido colhidos elementos que comprovam, de maneira irrefutável, como se deu a operacionalização dos pagamentos e indicam para a atuação de outros atores até então desconhecidos’.

“Carlos Nuzman e Leonardo Gryner foram os agentes responsáveis por unir pontas interessadas, fazer os contatos e azeitar as relações para organizar o mecanismo do repasse de propinas de Sérgio Cabral diretamente a membros africanos do COI (Comitê Olímpico Internacional), o que foi efetivamente feito por meio de Arthur Soares (o “Rei Arthur”)”, afirma a Procuradoria.

De acordo com os procuradores, a prisão temporária de Nuzman e Gryner é imprescindível não só como garantia de ordem pública, “como para permitir bloquear o patrimônio, além de impedir que ambos continuem atuando, seja criminosamente, seja na interferência da produção probatória”. Além do pedido de prisão, também foram cumpridos mandatos de busca e apreensão nas casas e empresas de Nuzman e Gryner e a quebra de sigilo telefônico dos dois acusados.

 

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