Estudantes cobram poder público por tragédia em boate

Amigos dos jovens que morreram no incêndio na Boate Kiss organizaram pelas redes sociais a manifestação que saiu da Câmara de Vereadores da cidade, passou pela delegacia que cuida das investigações e foi até a prefeitura. Acusando as autoridades e especialmente a prefeitura de omissão, eles cobraram investigação transparente, punição rigorosa para os culpados e a construção de um memorial em homenagem aos mortos no lugar da boate

Estudantes cobram poder público por tragédia em boate
Estudantes cobram poder público por tragédia em boate (Foto: RICARDO MORAES)
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Mariana Jungmann
Enviada Especial

Santa Maria - Muita emoção e pedidos de justiça marcaram o protesto de estudantes hoje (29) em Santa Maria. Amigos dos jovens que morreram no incêndio na Boate Kiss organizaram pelas redes sociais a manifestação que saiu da Câmara de Vereadores da cidade, passou pela delegacia que cuida das investigações e foi até a prefeitura.

Acusando as autoridades e especialmente a prefeitura de omissão, os estudantes cobraram investigação transparente, punição rigorosa para os culpados e a construção de um memorial em homenagem aos mortos no lugar onde hoje existe o prédio destruído da boate.

A organização do protesto começou com uma mensagem indignada do estudante Pablo Bizzi Mahmud, de 19 anos, que postou em uma rede social um texto cobrando a responsabilização do poder público pelo acidente. "Quando vi que os sócios da boate e os integrantes da banda tinham sido presos, publiquei que o poder público também devia ser punido. Eles têm que responder por essa tragédia. Quanto tempo vamos precisar esperar para ver o poder público agir e evitar esse tipo de coisa?", cobrou o estudante.

Ao longo do percurso, diversas pessoas deram depoimentos em que lamentavam a perda de amigos, parentes e colegas de universidade. A professora Luciana Montemezzo, do curso de letras da Universidade Federal de Santa Maria (Ufsm), lembrou dos colegas que lecionam no curso de Agronomia, que reúne a maior quantidade de mortos. "Como professora da Ufsm, eu perdi alunos e filhos de alunos. Fico pensando nos meus colegas da Agronomia, que perderam mais de 20 alunos em uma turma de 40", disse.

O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu, compareceu ao protesto e ofereceu apoio e solidariedade aos estudantes. "Esse potencial de futuro que foi ceifado atinge não só Santa Maria, mas toda a pátria, todo o Brasil. Santa Maria não está sozinha hoje", disse.

Os vereadores receberam carta dos estudantes em que são cobradas providências para que os responsáveis sejam punidos. O vereador Coronel Vargas (PSDB) disse que já foi feita reunião entre a mesa diretora da Câmara de Vereadores na qual surgiu a proposta de revisão das leis que tratam da fiscalização de casas noturnas. Ele se disse satisfeito com a mobilização da juventude. "Julgamos que este manifesto é muito importante porque os jovens são os usuários dessas casas noturnas. Nós precisamos que eles nos ajudem a fiscalizar, eles sabem o que tem de errado lá. É importante que a gente tenha essa corresponsabilidade", disse.

Na frente da Delegacia Regional de Polícia Civil de Santa Maria, os jovens gritaram por Justiça e pediram minúcia nas investigações. Emocionado, o delegado que cuida do caso garantiu que tudo será feito com o maior rigor possível. "Estamos trabalhando incessantemente, quase sem dormir, desde a ocorrência. Eu também perdi uma prima lá. Vamos apurar as responsabilidades, podem ter certeza disso", disse com a voz embargada no megafone dos estudantes.

Quase ao mesmo tempo em que o protesto percorria as ruas de Santa Maria, o prefeito fez pronunciamento à imprensa no qual apresentou documentação que ele diz comprovar a fiscalização na casa noturna no ano passado. Cezar Schimer, no entanto, não quis responder a perguntas dos jornalistas e saiu sem dar mais esclarecimentos sobre a atuação da prefeitura para evitar o acidente.

Edição: José Romildo

 

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