247 – O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avalia a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao Republicanos, como uma das principais opções para ocupar a vaga de vice em sua chapa para as eleições de 2026. As informações são da Folha de São Paulo.
Aliados de Flávio afirmam que o senador tem demonstrado preferência pelo nome de Daniella diante da dificuldade em encontrar um vice capaz de ampliar o apoio político à candidatura. Nos bastidores, integrantes das duas legendas avaliam que cresceram nas últimas semanas as chances de uma aliança entre PL e Republicanos, embora ainda existam resistências dentro da sigla comandada por Marcos Pereira.
A possibilidade de Daniella integrar a chapa presidencial, no entanto, já provoca desconforto entre integrantes do Republicanos. A ex-presidente da Caixa filiou-se ao partido apenas em abril e, segundo a reportagem, ainda não teve uma conversa presencial com o presidente nacional da legenda. Reservadamente, dirigentes argumentam que sua indicação poderia gerar insatisfação entre filiados mais antigos, que não se sentiriam representados pela escolha.
Outro fator que leva o Republicanos a adotar cautela é o momento vivido pela pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Dirigentes da legenda consideram que a definição de uma eventual aliança deve ser postergada ao máximo, em razão das sucessivas crises políticas enfrentadas pelo senador.
Entre os episódios recentes está o conflito público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Na semana passada, Michelle afirmou que foi maltratada, humilhada e que Flávio teria dado a entender que não desejava sua participação na campanha presidencial. Nesta quarta-feira (1º), o senador também respondeu às insinuações feitas por Michelle sobre uma suposta participação em festas promovidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro, Flávio rebateu as declarações e afirmou que a madrasta está “completamente desinformada”.
Busca por uma vice mulher ganha força
Segundo a reportagem, a escolha do vice tornou-se um dos principais desafios da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Além da dificuldade em atrair partidos aliados, pesquisas internas encomendadas pelo PL indicariam que os nomes testados até agora não agregam votos à candidatura.
Parlamentares da legenda já defendiam a escolha de uma mulher para tentar reduzir a rejeição entre o eleitorado feminino. A estratégia ganhou ainda mais importância após as críticas públicas feitas por Michelle Bolsonaro e sua decisão de deixar a presidência do PL Mulher.
Nesse contexto, Daniella Marques passou a ocupar posição de destaque na equipe do pré-candidato. Ela deixou temporariamente a gestora de investimentos onde trabalhava para se dedicar integralmente à campanha e coordena o eixo do programa de governo voltado às mulheres.
Batizado de “Brasil Por Elas”, o plano deverá ser apresentado oficialmente no próximo dia 15.
Trajetória de Daniella Marques
Durante o governo Jair Bolsonaro, Daniella Marques foi uma das principais auxiliares do então ministro da Economia, Paulo Guedes. Em julho de 2022, assumiu a presidência da Caixa Econômica Federal após a saída de Pedro Guimarães, investigado por denúncias de assédio sexual e moral.
Ela comandava o banco público quando foi lançado o crédito consignado para beneficiários do Bolsa Família, às vésperas das eleições presidenciais de 2022. A modalidade foi suspensa no início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após registrar elevados índices de inadimplência.
Entre 2024 e 2025, Daniella integrou o Conselho de Administração do Banco Digimais — instituição que passou a ser investigada pela Polícia Federal por suspeitas de irregularidades financeiras
Além da possibilidade de compor a chapa presidencial, Daniella também é apontada, segundo interlocutores da campanha, como um nome cotado para integrar um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Republicanos ainda não decidiu apoio
Apesar do avanço das conversas, o Republicanos ainda não definiu qual posição adotará na disputa presidencial. A legenda descarta apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou outro candidato de direita neste momento, mas mantém aberta a possibilidade de permanecer neutra, permitindo que os diretórios estaduais escolham livremente seus apoios.
Dirigentes afirmam que ainda não houve negociação formal com a campanha de Flávio Bolsonaro sobre a indicação do vice-presidente e que uma eventual composição dependerá também de acordos regionais.
Uma das principais reivindicações do Republicanos é o apoio do PL à candidatura do governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, à reeleição. Atualmente, o PL mantém como pré-candidato ao governo do estado o senador Wellington Fagundes.
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