Marco Aurélio relativiza importância de julgar mensalão

Ministro diz que o STF não pode parar para julgar os acusados de participar do esquema; para ele, esse julgamento é tão importante quanto qualquer outro e o Supremo precisa desmitificá-lo

Marco Aurélio relativiza importância de julgar mensalão
Marco Aurélio relativiza importância de julgar mensalão (Foto: Divulgação)
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Fernando Porfírio _247 - Em entrevista ao jornalista Rodrigo Haidar, da revista Consultor Jurídico, o ministro Marco Aurélio Mello, disse nesta quinta-feira (31) que o Supremo Tribunal Federal não pode parar para julgar o mensalão. De acordo com o ministro, o STF precisa desmitificar o julgamento do processo do mensalão.

Marco Aurélio defendeu que a corte tem de achar um procedimento que permita o julgamento desse processo sem deixar de lado as outras milhares de ações que aguardam a definição dos ministros. "Até parece que não temos mais nada importante na Corte para julgar, que essa é a primeira ação relevante submetida ao crivo do Supremo".

O ministro afirmou que não vê motivos para a pressa que se percebe em julgar o mensalão e que sequer seria conveniente analisar o caso durante o período eleitoral. Para Marco Aurélio, é evidente que a decisão do STF pode influenciar o processo eleitoral. "Acabará o pronunciamento do Supremo interferindo no processo eleitoral, no certame eleitoral, com desequilíbrio para a disputa", afirmou. De acordo com ele, contudo, o período eleitoral também não é um obstáculo intransponível para que o caso seja julgado.

O ministro não admite a possibilidade de suspensão do recesso de julho por conta de um processo que considera tão importante quanto qualquer outro que tramita no Supremo e diz que não compareceria às sessões. "Eu próprio não comparecerei a qualquer sessão convocada para o mês de julho para julgar especificamente um processo. Afinal de contas, ninguém está no corredor da morte", disse.

Na entrevista, o ministro ainda criticou o atraso nas sessões do Supremo, as longas discussões sobre o mesmo fato que acabam por impedir o julgamento de outros processos e a pressão sobre o revisor da ação do mensalão, ministro Ricardo Lewandowski, para que ele libere logo o processo para a pauta. "O que se quer? Um exame aligeirado pela rama? Não. Se quer um exame cuidadoso, porque nós estaremos lidando com a liberdade de cidadãos". De acordo com Marco Aurélio, o tribunal não pode deixar de lado, neste caso, a equidistância que deve ter em relação a qualquer processo que tramita no STF.

 

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