Megaoperação prende 72 por roubo de carros

Ação conjunta do Ministério Público e Secretaria de Segurança envolveu mais de 500 homens; central de comando do crime funcionava de dentro de presídio; traficante preso fornecia uma tonelada de maconha por mês em Goiânia

Megaoperação prende 72 por roubo de carros
Megaoperação prende 72 por roubo de carros (Foto: Ângeja Scalon/ Goiás Agora)
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(Goiás Agora) Ação conjunta entre o Ministério Público e a Secretaria de Segurança Pública e Justiça (SSPJ), por meio da Polícia Civil, Polícia Militar e Agência Goiana do Sistema de Execução Penal, desarticulou quadrilhas de roubo de veículos e tráfico de drogas. Até o meio-dia desta terça, dia 10, 72 pessoas foram presas. Outros mandados de prisão estão sendo cumpridos em Goiás, São Paulo, Maranhão e Mato Grosso do Sul. Dezoito detentos da Penitenciária Odenir Guimarães (POG), que comandariam os crimes, receberam nova ordem de prisão e foram transferidos para núcleos de custódia diferenciados com segurança reforçada. Essa foi a maior operação da história da SSPJ Goiás.

Quatrocentos policiais civis, nove delegados, 80 policiais militares, 30 agentes do Grupo de Operações Penitenciarias, 20 agentes prisionais e 16 promotores de Justiça participaram da ação. Estão sendo cumpridos 39 mandados de prisão do MP, 55 mandados de prisão da Polícia Civil, 14 mandados de condução coercitiva e 53 mandados de busca e apreensão. A Justiça autorizou o bloqueio de bens de 39 investigados e sequestro dos valores constantes em pelo menos 34 contas bancárias. Foram apreendidas motocicletas, computadores, armas, drogas e dezenas de carros. Durante todo o período de investigação foram gravadas 20 mil horas de áudio de celulares.

A rede de crimes iniciada com o roubo de veículos gerava homicídios, roubo armado, furto, receptação, adulteração de veículo automotor, falsificação de documentos, porte de arma de fogo, estelionato, tráfico de drogas, associação para o tráfico, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. O secretário de Segurança Pública e Justiça, João Furtado, afirmou que os dados da operação demonstram o êxito desse trabalho conjunto. "Essa é a maior operação já feita em Goiás no enfrentamento dessa modalidade de crimes (roubo/furto de veículos)", pontuou. Ele acrescentou que com isso a sociedade poderá se sentir mais segura.

Presídios

O presidente da Agência Goiana do Sistema de Execução Penal (Agsep), delegado Edemundo Dias, informou que 50 agentes da instituição integraram a operação. Inclusive, para facilitar as investigações, foi retardada a instalação de bloqueadores de celulares nos presídios goianos.

Ele explicou que o processo de instalação de bloqueadores na Penitenciária Odenir Guimarães (POG) está adiantado, inclusive já foram feitos testes. Em breve estará em funcionamento. Com a aparelhagem será totalmente impossibilitada a comunicação via celular no perímetro da unidade prisional. Também receberá essa aparelhagem a Casa de Prisão Provisória. O presídio de Jataí, por exemplo, já possui o sistema.

Investigação

Tanto o Ministério Público quanto a PC iniciaram investigações distintas. Em reuniões entre os dois órgãos descobriram que ambas se tratavam do combate ao crime organizado de roubo de veículos, mas com alvos diferentes. A partir disto elas resolveram desenvolver esse trabalho em parceria. A operação Cadeia do Crime, pelo MP, e a Guilhotina, via Polícia Civil. Ambas utilizaram o mesmo modus operandi.

Pela PC foram 12 meses de investigação. O delegado Fernando Sakuraba explicou que em média a Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos Automores (DERFVA) recupera 70% dos veículos roubados/furtados. Nesse mês o índice foi de 86%. A operação desta terça-feira refere-se a esses carros que não são localizados.

O coordenador do Centro de Segurança Institucional e Inteligência do MP, promotor José Carlos Nery Júnior, argumenta que foi confirmado que todas essas atividades criminosas estão ligadas ao tráfico de drogas. Os veículos eram usados em troca de entorpecentes ou para transporte dos mesmos.

Em comum, a Polícia Civil e o Ministério Público detectaram que a organização criminosa era comandada de dentro da POG. O titular da DERFVA, delegado Edson Carneiro, avalia que com as prisões de hoje, o índice de criminalidade na Região Metropolitana da capital vai reduzir em cerca de 30%.

O promotor do Gaeco, Denis Augusto Bimbati, afirma que a investigação pelo MP começou em fevereiro. "Os presos de dentro do presídio escolhem as vítimas e o modelo do carro que querem. Eles valem-se de menores drogados ou embriagados, sem preparo com arma de fogo, que acabam gerando tragédias", explicou.

O comandante de policiamento da capital da Polícia Militar, tenente-coronel Márcio G. Queiroz, pontuou que a PM atuou em conjunto nesse mapeamento da criminalidade. Ele destacou a importância dessa operação, uma vez que a partir da identificação e prisão desses mentores aumenta-se a dificuldade no cometimento de crimes. "Temos que estar à frente deles", ressaltou.

Quadrilhas

As prisões realizadas hoje atingem os cabeças das quadrilhas de roubos a veículos, segundo a delegada-geral da Polícia Civil, Adriana Accorsi. "É um trabalho profundo em defesa da vida. Essas prisões vão representar a diminuição da criminalidade", enfatizou. Ela expôs ainda que esses criminosos são responsáveis por sequestros, homicídios e diversos outros crimes gerados a partir do roubo/furto de veículos.

As investigações comprovaram a segmentação e especialização dos criminosos. Cada indivíduo exercia papel diferente no grupo. A ordem do roubo partia de presos. Normalmente menores eram utilizados no roubo/furto, algumas vezes em troca de drogas. Após o assalto o veículo e arma usada eram entregues a pessoas diferentes. O chamado "cavalo" (pessoa que esconde o veículo) armazenava o carro ("esfriava") para verificar se ele possuía rastreador.

Em seguida, outras pessoas confeccionavam as placas clonadas e documentação. Em alguns casos, a fraude era tão "profissional" que nem mesmo era detectada na vistoria do Detran. Os veículos eram levados para outros Estados, onde eram trocados por drogas ou utilizados para o transporte das mesmas. Esses entorpecentes abasteciam o comércio ilegal em Goiás.

Salvador, detido em Coronel Sapucaia (MS), era um dos principais fornecedores de maconha de Goiânia. A estimativa da Polícia Civil é que ele fornecia cerca de uma tonelada da droga por mês. Com sua prisão haverá redução de pelo menos 30% da oferta do entorpecente na capital e adjacências.

Além de Salvador, foram presas outras sete pessoas em Mato Grosso do Sul. Por meio de acordo de cooperação técnica da SSPJ Goiás e outros Estados, estão sendo cumpridos mandados em São Paulo e no Maranhão.

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