Mulheres protestam por judiciário menos machista

Camponesas e mulheres urbanas de todo o país se uniram em luta para avançar em pautas comuns; no Rio Grande do Sul, 800 camponesas do MST e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) ocuparam a sede da multinacional israelense Adama e da empresa com beneficiamento de madeira Duratex, em Taquari; em Porto Alegre, a Via Campesina, o Sindicato dos Professores do RS (Cpers/Sindicato) e o Levante da Juventude lideraram protesto em frente ao Palácio da Justiça

Camponesas e mulheres urbanas de todo o país se uniram em luta para avançar em pautas comuns; no Rio Grande do Sul, 800 camponesas do MST e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) ocuparam a sede da multinacional israelense Adama e da empresa com beneficiamento de madeira Duratex, em Taquari; em Porto Alegre, a Via Campesina, o Sindicato dos Professores do RS (Cpers/Sindicato) e o Levante da Juventude lideraram protesto em frente ao Palácio da Justiça
Camponesas e mulheres urbanas de todo o país se uniram em luta para avançar em pautas comuns; no Rio Grande do Sul, 800 camponesas do MST e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) ocuparam a sede da multinacional israelense Adama e da empresa com beneficiamento de madeira Duratex, em Taquari; em Porto Alegre, a Via Campesina, o Sindicato dos Professores do RS (Cpers/Sindicato) e o Levante da Juventude lideraram protesto em frente ao Palácio da Justiça (Foto: Leonardo Lucena)

Sul 21 - Camponesas e mulheres urbanas de todo o país se uniram nesta terça-feira (10) em luta para avançar em pautas comuns. No Rio Grande do Sul, a partir das 04h, 800 camponesas do MST e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) ocuparam a sede da multinacional israelense Adama e da empresa com beneficiamento de madeira Duratex, em Taquari. Em Porto Alegre, a Via Campesina, o Sindicato dos Professores do RS (Cpers/Sindicato) e o Levante da Juventude lideraram protesto em frente ao Palácio da Justiça.

A multinacional Adama é uma das maiores empresas de agroquímicos do Sul do país, na produção de princípios ativos de agrotóxicos para sementes, incluindo o veneno 2,4-D, que estava proibido no Brasil por ser cancerígeno. O 2,4D é um dos principais componentes do agente laranja, usado como arma química no Vietnã.

Enquanto as mulheres do campo lutavam contra os agrotóxicos na produção de alimentos, as professoras e jovens da capital cobravam o judiciário no cumprimento das leis de proteção das mulheres contra violência e homicídio. Anualmente, 42 mil mulheres do campo e da cidade perdem a vida em consequência da violência doméstica no RS. Contra estas estáticas, as mulheres desenharam seus corpos no chão e colocaram cruzes de maderia sobre cartazes com a fisionomia de um rosto feminino.

“A violência contra a mulher não é o mundo que a gente quer” e “Quando a mulher do campo e da cidade se unir, o machismo vai cair” eram as palavras de ordem. A concentração das mulheres ocorreu às 10h, na Praça da Matriz. Por conta do mau tempo, elas ocuparam a entrada do Palácio da Justiça.

“Também estamos aqui porque queremos que a Justiça cumpra as leis que são criadas neste país em proteção das mulheres. Na terça-feira (09) foi sancionada a lei do feminicídio para tornar crime hediondo o assassinato de mulheres. Nós não queremos que as mulheres morram pela opressão de seus companheiros, mas, se isto acontecer, não aceitamos que fique impune ou seja afiançável”, defende Adriana Mezadri, da Via Campesina.

Aborto e recursos do governo do RS na pauta

Durante o protesto, as mulheres deram as mãos em solidariedade às 194 mulheres vítimas de violência doméstica que perderam a vida entre 2013 e 2014. Elas também acenderam velas em alusão à ‘chama da revolução’ como forma de incentivar a luta pela vida das mulheres. Apenas no ano passado, 87 mulheres foram ameaçadas de morte e 53 mil foram agredidas.

Para a ativista do Levante Popular da Juventude, Vanessa Gil, a postura do judiciário é omissa para os crimes graves e severa para situações em que há necessidade de uma revisão da legislação. “O aborto é a 5ª causa de morte de mulheres no Brasil. Temos dados de que 7 milhões de mulheres já praticaram o aborto no nosso país e, aqui, esta prática leva mulheres para cadeia. O judiciário mandar prender mulheres que deveriam receber o apoio e proteção do estado. Falta estrutura e atendimento de saúde para estas mulheres. Mulheres negras e pobres, porque as ricas fazem aborto em clínicas particulares e não acontece nada”, critica.

As ações das mulheres do campo e da cidade também reivindicam a Reforma Agrária Popular, com o assentamento de todas as 120 mil famílias acampadas no país, o fim da violência contra a mulher e a criação de políticas públicas para as mulheres do Rio Grande do Sul.

À tarde, o grupo espera ser recebido pelo governo estadual no Palácio Piratini. “Temos um edital no valor de R$ 100 milhões para a Via Campesina. Só recebemos R$ 25 milhões até agora. Queremos uma sinalização do governo para o pagamento do restante”, alega Adriana Mezadri. Segundo ela, o edital destina-se a incentivos para irrigação nas pequenas propriedades, incentivo à cooperativas de produção ecológica e grupos de 15 mil famílias.

A mobilização faz parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Camponesas da Via Campesina em defesa da soberania alimentar, contra a violência e o modelo do agronegócio na agricultura, considerado pelos movimentos prejudicial à vida das mulheres camponesas. Ao longo desta segunda-feira (9), mais de 15.000 mulheres participaram das ações em 15 estados brasileiros, com marchas, ocupações e trancamento de rodovias.

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