“Muy amigo”: ajuda federal ao RS depende da privatização do Banrisul

Está na cara a velhacaria da proposta de “ajuda aos Estados”, não está? É faca no pescoço para venderem o que lhes resta de patrimônio; análise de Fernando Brito, editor do Tijolaçp, sobre a "ajuda" federal ao Rio Grande do Sul

06/08/2015 - PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - Entrevista coletiva do governador José Ivo Sartori, no Palácio Piratini. Foto: Guilherme Santos/Sul21
06/08/2015 - PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - Entrevista coletiva do governador José Ivo Sartori, no Palácio Piratini. Foto: Guilherme Santos/Sul21 (Foto: Leonardo Attuch)

No Valor, a chantagem explícita:

O tamanho da operação  [da União] de socorro do Rio Grande do Sul está diretamente associado à possibilidade de o governo gaúcho incluir a venda do Banrisul, banco no cardápio de contrapartidas. O governador gaúcho, José Ivo Sartori (PMDB), demonstra resistência à ideia, mas, segundo fontes do governo federal, dificilmente o problema do Estado será resolvido sem a venda [do banco].

O parceiro de Michel Temer, Eliseu Padilha, nega e diz que a decisão depende do governador, mas que a ajuda depende de que se ofereçam as “jóias da coroa”, como é o banco estadual.

A importância do Banrisul para a economia gaúcha é imensa, desde que foi criado, em 1928, por Getúlio Vargas – então “presidente” do Estado – para financiar a agricultura sul-riograndense e também para a catarinense.

 

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No último balanço anual divulgado, o de 2015, deu lucro de R$ 838 milhões. Não é, portanto, deficitário, longe disso.

É o 11° banco nacional em valor de ativos e o sétimo entre os de varejo, se não entrarem na lista os bancos de investimento (BNDES, Pactual, Safra e Votorantim). Isso mesmo sendo muito regionalizado, com relativamente poucas agências fora do Sul do Brasil. Seus ativos totais, em março de 2015, somavam R$ 61,4 bilhões.

Está na cara a velhacaria da proposta de “ajuda aos Estados”, não está? É faca no pescoço para venderem o que lhes resta de patrimônio.

As tradições gaúchas vão parar no bolso de um Itaú, de um Bradesco ou de um Santander.

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