Negros são as principais vítimas da violência em AL

Em Alagoas o dia 20 de novembro é feriado em homenagem ao Dia da Consciência Negra; a data também é uma referência ao alagoano Zumbi dos Palmares, símbolo nacional da resistência; entretanto, não há muito que comemorar; de acordo com o Mapa da Violência 2014, o estado é líder em homicídios de negros

Em Alagoas o dia 20 de novembro é feriado em homenagem ao Dia da Consciência Negra; a data também é uma referência ao alagoano Zumbi dos Palmares, símbolo nacional da resistência; entretanto, não há muito que comemorar; de acordo com o Mapa da Violência 2014, o estado é líder em homicídios de negros
Em Alagoas o dia 20 de novembro é feriado em homenagem ao Dia da Consciência Negra; a data também é uma referência ao alagoano Zumbi dos Palmares, símbolo nacional da resistência; entretanto, não há muito que comemorar; de acordo com o Mapa da Violência 2014, o estado é líder em homicídios de negros (Foto: Voney Malta)

Alagoas247 - Na data em que se comemora o Dia da Consciência Negra e se faz referência aos feitos do alagoano Zumbi dos Palmares, ícone da resistência em todo o país, o estado não tem muito o que festejar. Liderando a lista dos que têm o maior número de homicídios de negros, Alagoas amargou, em 2012, um total de 92,6 mortes violentas para cada 100 mil habitantes da raça. Enquanto isso, a taxa de brancos assassinados foi de 8,5 para cada 100 mil habitantes, a quarta mais baixa do país, de acordo com dados do Mapa da Violência 2014.

O levantamento mostra ainda que o crescimento do número de mortes de negros em Alagoas foi significativo em uma década, entre os anos de 2002 e 2012, um aumento percentual de 115,7%. Em valores absolutos, um total de 1.961 negros assassinados no Estado em 2012. O número é menor que o registrado em 2011, que foi de 2.184, mas é mais que o dobro das mortes violentas ocorridas em 2002, quando foram somados 848 homicídios de pessoas da raça negra.

De acordo com dados da Secretaria de Estado da Defesa Social (Seds), o perfil da maioria das vítimas de violência em Alagoas é formado por pessoas do sexo masculino, negras e com idades entre 18 e 29 anos.

Para Arísia Barros, ativista alagoana, os jovens negros do estado estão sendo exterminados e a população não tem feito nada para cobrar respostas e impedir que as mortes aconteçam. "A morte da população negra está banalizada. Sempre que um jovem preto morre, todos já falam que ele estava envolvido com drogas e que era bandido. É uma guerra que não tem provocado celeuma em ninguém", diz Arísia, ressaltando que 77% das mortes registradas em Alagoas têm como vítimas a juventude negra.

Como exemplo da violência que atinge os negros que vivem na periferia de Maceió, Arísia cita o caso Davi da Silva, que desapareceu após uma abordagem policial ocorrida no bairro do Benedito Bentes. "O Davi também é um menino negro, pobre, que mora na periferia. Se fosse um menino branco, a sociedade toda estaria estarrecida e cobrando uma resposta para o que aconteceu", disse.

Arísia também ressalta que, nos últimos anos, não houve a implantação de políticas públicas voltadas para a população que vive nos bairros mais afastados da capital, onde os índices de criminalidade são assustadores. Diante disso, ela destaca que Alagoas não tem o que comemorar nesta quinta-feira.

"O que Alagoas tem para comemorar? Para quê fazer festa? Ter consciência negra é procurar saber porque esses meninos continuam morrendo. Onde faltam oportunidades, a violência e a criminalidade vão reinar. Quem está na periferia é o povo negro. A miséria tem cor em Alagoas", conta Arísia.

Histórico

A violência contra negros está diretamente relacionada à má distribuição de renda em Alagoas. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgados no ano 2000 já mostravam essa disparidade e apontavam que 41,67% da população negra do Estado vivia como indigente. À época, a taxa era a segunda maior entre os estados do Nordeste, ficando atrás apenas do Maranhão.
Com gazetaweb.com

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