Para Idec, prêmio de gestão hídrica concedido a Alckmin é uma "afronta"

Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) criticou duramente o prêmio concedido pela Câmara dos Deputados ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pela boa gestão hídrica no Estado; "É um prêmio à leniência e à omissão total", disparou o gerente técnico do Idec, Carlos Thadeu de Oliveira; "É uma afronta ao povo paulistano", completou; São Paulo enfrenta a maior crise de abastecimento de água da sua história; ao falar sobre a premiação, Alckmin disse que "modéstia à parte, é merecido"

www.brasil247.com - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) criticou duramente o prêmio concedido pela Câmara dos Deputados ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pela boa gestão hídrica no Estado; "É um prêmio à leniência e à omissão total", disparou o gerente técnico do Idec, Carlos Thadeu de Oliveira; "É uma afronta ao povo paulistano", completou; São Paulo enfrenta a maior crise de abastecimento de água da sua história; ao falar sobre a premiação, Alckmin disse que "modéstia à parte, é merecido"
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) criticou duramente o prêmio concedido pela Câmara dos Deputados ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pela boa gestão hídrica no Estado; "É um prêmio à leniência e à omissão total", disparou o gerente técnico do Idec, Carlos Thadeu de Oliveira; "É uma afronta ao povo paulistano", completou; São Paulo enfrenta a maior crise de abastecimento de água da sua história; ao falar sobre a premiação, Alckmin disse que "modéstia à parte, é merecido" (Foto: Paulo Emílio)


Por Sarah Fernanda, da Rede Brasil Atual – O anúncio ontem (22), pela Câmara dos Deputados, de prêmio ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, por boa gestão hídrica no estado, que enfrenta sua maior crise de abastecimento de água da história, foi considerado uma "afronta ao povo paulistano", pelo Instituto de Brasileiro de Defesa do Consumidor, que monitora os problemas de abastecimento no estado. A premiação ocorrerá em 13 de outubro.

"É um prêmio à leniência e à omissão total", afirmou o gerente técnico da instituição, Carlos Thadeu de Oliveira. "É uma afronta ao povo paulistano. O deputado que concedeu o prêmio (João Paulo Papa, do PSDB-SP) não sabe do que está falando." A indicação de Alckmin ao Prêmio Lúcio Costa de Mobilidade, Saneamento e Habitação 2015 ocorreu pelo fato de ele governar o estado brasileiro que mais se aproxima da universalização do saneamento básico.

O governador disse hoje que o prêmio, "modéstia à parte, é merecido", durante uma reunião dos Conselhos Comunitários de Segurança da Grande São Paulo (Consegs). "São Paulo é hoje um modelo para o Brasil do ponto de vista de recursos hídricos. Por quê? Primeiro, não teve seca só em São Paulo. Teve em 1.500 municípios. O único ente federativo que deu bônus para evitar desperdício foi São Paulo. Nenhum estado, nenhuma prefeitura, nem o governo federal, ninguém fez nada. Nós demos o bônus", disse.

"Sabemos que essa crise não é inesperada e o enfrentamento em São Paulo tem sido, tecnicamente, o pior possível, sem sequer planejamento e transparência", critica Oliveira. "Nenhuma das medidas que ele tomou tem nada de revolucionário nem de boa gestão. Ele demorou para implantá-las e ainda tem a pachorra de dizer que fez interligação de sistemas. Nós sabemos que as obras estão todas atrasadas e que são bem duvidosas do ponto de vista técnico. Além disso, não existe investimento. Na cidade de São Paulo, só 27% do esgoto é tratado. É uma vergonha."

O Sistema Cantareira, principal fornecedor de água para a Grande São Paulo, operava ontem com apenas 16,3% de sua capacidade, segundo dados da Sabesp. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) informou que o problema da falta de água é resultado da falta de planejamento do governo paulista. O órgão relatou que a Secretaria Estadual de Recursos Hídricos (SSRH) recebeu vários alertas sobre a necessidade de um plano de contingência.

Já a coordenadora institucional da Proteste – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, Maria Inês Dolci, acredita que o prêmio pode "incentivar o governador a realmente trazer para o estado uma solução para crise hídrica, que é a maior da nossa história". "Temos a questão também do problema de falta de água, que não é só em São Paulo, mas ele foi premiado por ações inovadoras, que podem fazer a diferença nesse momento."

Alckmin foi escolhido para o prêmio na categoria Personalidades, ao lado de Jaime Lerner (ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná), indicado pelo deputado Toninho Wandscheer (PT-PR) pelo modelo de mobilidade urbana, de preservação de áreas verdes e de reciclagem implantado na capital paranaense; e de Eduardo Paes (PMDB-RJ), prefeito do Rio de Janeiro indicado pelo deputado Hildo Rocha (PMDB-MA), por conta da revitalização da Região Portuária da cidade.

O Prêmio Lúcio Costa de Mobilidade, Saneamento e Habitação foi criado pela CDU no último mês de julho e ocorrerá anualmente. De acordo com as regras, cada deputado integrante da comissão, entre titulares e suplentes, pode indicar até três nomes de entidade ou pessoa jurídica, e até três nomes de personalidades, todos ligados a uma das áreas: mobilidade, saneamento e habitação. A seleção dos premiados é feita por votação entre os parlamentares do colegiado.

A cerimônia de premiação da 1ª edição ocorrerá na abertura do 3º Seminário Internacional de Mobilidade e Transportes, no dia 13 de outubro, às 20h, no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. Os premiados receberão um diploma de menção honrosa, uma medalha e a estatueta Lucio Costa, criada e produzida pelo artista, escultor e músico Edgar Duvivier.

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