Pop, candidata Soninha ao menos diz o que pensa

Postulante do PPS à Prefeitura de São Paulo quer maconha vendida "como cerveja"; foi em sabatina do portal UOL; posição é majoritária na sociedade?; não, mas candidata tem o mérito de se expor sem medo de perder pontos; amiga de José Serra, disse que, se não passar para o 2º turno e ele sim, tucana

Pop, candidata Soninha ao menos diz o que pensa
Pop, candidata Soninha ao menos diz o que pensa (Foto: Edição/247)
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247 – Soninha Francini é pop. Com seu estilo que os entendidos em moda podem chamar de casual street, cabelos desalinhados e língua solta, a candidata do PPS conseguiu dar uma pitada de sinceridade na eleição para a Prefeitura de São Paulo. Aconteceu durante sabatina no portal UOL, na manhã desta quarta-feira 15. Questionada sobre sua posição a respeito da legalização da comercialização e uso de maconha, ela afirmou que esse tipo de fumo deveria ser vendido "como cerveja" na capital paulista e no País. O objetivo seria o de "acabar com o monopólio dos bandidos, do PCC".

Ela enfrentou perguntas sobre pedágio urbano e se saiu bem, defendendo a realização de um plebiscito entre a população paulistana para decidir entre cobrar uma taxa para a circulação de automóveis na zona central da cidade ou ampliar o rodízio que, atualmente, retira de circulação, numa parte de cada dia útil, carros com dois finais diferentes de placas. "Se optarem por nenhuma das alternativas, vou dificultar mais o acesso de carros ao centro e criar estacionamentos gratuitos à volta das estações do metrô nos bairros", prometeu.

As posições de Soninha, especialmente sobre a legalização da comercialização da maconha, não encontram eco, segundo as pesquisas de opinião, na maioria do eleitorado. A candidata demonstrou o mérito, porém, de assumir uma posição forte diante de uma questão polêmica, sem medo de perder pontos nas pesquisas de opinião. No momeno, a candidata do PPS tem 8% de intenções de voto na medição do instituto Datafolha, empatada com o candidato do PT, Fernando Haddad.

Ela negou que sua candidatura venha a ter o efeito de uma linha auxiliar do líder nas pesquisas José Serra, do PSDB, à medida em que atua em setores sociais que, potencialmente, poderiam se indentificar com o PT. "Eu fico louca da vida com essa insistência", reclamou. Mas admitiu que, no segundo turno, se não estiver lá, apoiará Serra, caso ele esteja. Outra vacilação ocorreu quando contou saber de um caso da concessão do voto de um vereador a projetos do prefeito Gilberto Kassab em troca da cessão de 120 cargos municipais. "Não posso dar nomes".

Abaixo, notícia publicada no portal UOL sobre a sabatina de Soninha:

UOL - A candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, disse nesta quarta-feira (15) durante sabatina Folha/UOL que defende a implementação do pedágio urbano a R$ 3 --mesmo valor da tarifa de ônibus-- e a venda legal da maconha em comércio regularizado, como bares.

Ela também criticou a gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e afirmou que sua candidatura não tem o objetivo de ajudar José Serrá, candidato do PSDB.

Soninha defende que a maconha seja vendida "como cerveja", para livrar a venda do "monopólio dos bandidos". Em 2001, uma entrevista que deu à revista Época, em que admitia fumar maconha, causou sua demissão da emissora MTV.

Sobre o pedágio urbano, Soninha afirmou que existe um estudo do arquiteto e urbanista Candido Malta com relação à cobrança. "Ele defende [que seja] no centro expandido, onde hoje vigora o rodízio, ele tem o cálculo completo. Não assino embaixo dessa proposta, faria um perímetro menor", afirmou a candidata.

Para ela , a desvantagem de haver um pedágio urbano é a cobrança, já as vantagens são não proibir o trânsito em nenhum horário e arrecadar verba para melhorias do transporte público. Ela disse que, se eleita, fará um plebiscito na cidade para que a população decida pela adoção ou não da medida.

"Vocês preferem um rodízio ampliado ou pedágio urbano? Se optarem por nenhum das alternativas, vou dificultar cada vez mais o acesso dos carros [à região central], diminuir vagas para carros particulares e fazer garagens gratuitas em estações de metrô fora do centro", afirmou.

Soninha disse que a cobrança não é uma forma de penalizar o motorista. "Ele pode ter carro, mas ele tem que arcar com os custos que a cidade toda paga. O automóvel ocupa 80% do espaço viário e não é justo."

Maconha vendida como cerveja

Durante o evento, Soninha defendeu a legalização da maconha e a venda da droga da mesma forma como as bebidas alcoólicas são negociadas. "Seria vender como cerveja. [Em bar], por exemplo. Os bandidos têm o monopólio do comércio. Eles é que fazem o modelo de concorrência. Eles é que recrutam a mão de obra, inclusive molecada de 13 anos. Eles matam adolescente na frente da mãe aqui na Brasilândia [zona norte]. Se esse comércio fosse praticado por pessoas decentes, que pagam impostos, eu acredito mesmo que seria um bem para a sociedade", disse Soninha.

"Prefiro que o monopólio desse comércio não seja do PCC [Primeiro Comando da Capital, facção criminosa]", disse a candidata.

Soninha, que em 2001 admitiu publicamente fumar maconha em uma entrevista à revista Época, disse que hoje não consome mais a droga. "Por causa da minha religião, o budismo". Questionada, Soninha disse que não se arrepende da declaração, que na época custou seu emprego de apresentadora de um programa voltado para o público jovem na TV Cultura.

Falta empenho a Kassab

Soninha também declarou que "é possível" comprar um vereador na Câmara de São Paulo em troca de apoio e disse que "falta empenho, faca no dente e sangue no zóio [sic] do Kassab".

Sem revelar nomes, ela afirmou que conhece um caso concreto. "Eu soube, e não foi a pior das hipóteses, com apoio em troca de dinheiro, mas em troca de 120 cargos. Não posso dar nomes", disse. De acordo com a candidata, "nenhum projeto passa na câmara, na assembleia, sem um acordo prévio".

"Tudo é acordo, cada projeto de vereador que foi aprovado foi acordado antes no colégio de líderes. Na melhor das hipóteses é um acordo republicano, em que a cidade ganha. Agora um apoio não republicano é quando o projeto é uma porcaria, com acordo feito em troca de dinheiro", disse.

A candidata também negou que esteja na disputa para auxiliar a candidatura de Serra. "Eu fico louca da vida com essa insistência", disse. No entanto, declarou que apoiará o tucano em eventual segundo turno.

"Eu respondo essas coisas e me dou mal", disse a candidata do PPS, que é ex-vereadora e fez parte da equipe de campanha de Serra em 2010, quando o tucano disputou a Presidência.

Soninha afirmou que sua candidatura é para valer e que o PPS tem a plena convicção de seu projeto. "Vou me eleger prefeita", disse Soninha. Caso não consiga dessa vez, disse ela, vai "morrer tentando".

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