Presidente do conselho de ética 'reza para não ter que cassar ninguém'

"Sou um homem temente a Deus, acredito em Deus, e rezo todos os dias para que não tenha a necessidade de cassar mandato de nenhum colega, nenhum deputado", declarou o baiano Elmar Nascimento (DEM), recém-eleito presidente do Conselho de Ética da Câmara; correligionário do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que está nas delações da Odebrecht, ele nega que sua eleição para o colegiado seja para blindar colegas investigados na Lava Jato, incluindo o próprio Maia; Elmar vê constrangimento em ser do mesmo partido; "Nenhum. Zero. Até que se prove o contrário, eu os tenho como pessoas de reputação absolutamente ilibada"

Elmar Nascimento
Elmar Nascimento (Foto: Romulo Faro)

Bahia 247 - Recém-eleito presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, o baiano Elmar Nascimento (DEM) disse em entrevista ao jornal Folha de São Paulo que reza para que não precise dar parecer pela cassação de nenhum colega.

"Sou um homem temente a Deus, acredito em Deus, e rezo todos os dias para que não tenha a necessidade de cassar mandato de nenhum colega, nenhum deputado. É o tipo da coisa que a gente torce para não chegar, mas temos a exata noção e dimensão da responsabilidade que nós temos. E nós vamos cumprir nosso dever na hora que esse dever se apresentar, seja ele qual for. Não falo só no meu nome, mas no dos companheiros que tenho a honra de liderar no conselho", disse Elmar.

A escolha do deputado baiano é vista como uma articulação, apontada pelos próprios colegas, como o primeiro passo na tentativa de barrar a cassação de dois alvos da Operação Lava Jato. Elmar não integrava o conselho, e sua candidatura foi colocada às vésperas da instalação da nova composição do órgão, responsável por analisar pedidos de suspensão de mandato dos parlamentares.

O deputado, que venceu Sandro Alex (PSD-PR) por 11 votos a 9, é do mesmo partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um dos investigados pelo Supremo Tribunal Federal com base na delação da Odebrecht. O baiano diz que não se sente constrangido por ser correligionário de Rodrigo Maia.

"Nenhum. Zero. Até que se prove o contrário, eu os tenho como pessoas de reputação absolutamente ilibada. Aliás, tem na lista pessoas que a gente estranha. Por exemplo, uma das pessoas que a gente tem o melhor conceito aqui na Casa, o ex-governador de Pernambuco Jarbas Vasconcelos (PMDB). Para mim, causa espécie. E posso citar outros do nosso partido, o próprio Onyx Lorenzoni (DEM-RS), integrante do Conselho de Ética, está aí sempre entre um dos paladinos da defesa intransigente da ética", afirmou Elmar.

Ele defende a Lava Jato, mas prega "punição exemplar" a delatores que não provarem acusações. Ele nega proximidade com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba. E afirma que se pautará pela discrição – o que corrobora a crítica de Cunha de que o antigo comando do conselho buscava os holofotes da imprensa.

Deputado nega blindagem a colegas

Pouco antes de sua eleição para a presidência do Conselho de Ética, circulou nos bastidores da Câmara informação de que Elmar Nascimento estaria chegando ao colegiado para 'blindar' colegas e 'resolver a questão'. Ele nega tal articulação.

"A questão é a seguinte: você tem que ter a consciência de que os membros do Conselho de Ética, e mais ainda o presidente, têm que ter imparcialidade e discrição, além de independência e saber jurídico. Esse perfil que demonstrei ter, o desempenho que tive na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e o relacionamento que criei com os colegas dão a segurança de que eu possa conduzir os processos com absoluta isenção. É claro que todo parlamentar gosta de imagem, gosta de imprensa. Mas eu tenho que ter a convicção de que tenho que me manifestar sobre a instrumentalização dos processos, nunca sob o mérito. Sob pena de ficar impedido e de conduzir mal".

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