Sou escritoriofóbico. Por que me sinto mal no trabalho?

Hoje, inúmeras razões fazem que a vida no escritório possa transformar rapidamente o dia a dia em um pesadelo… Excesso de trabalho, ambiente inadequado, falta de reconhecimento são as causas mais recorrentes.

Sou escritoriofóbico. Por que me sinto mal no trabalho?
Sou escritoriofóbico. Por que me sinto mal no trabalho? (Foto: Reza Estakhrian)

 

 

Por Quentin Périnel – Le Figaro

 

A vida no escritório está longe de ser sempre bem vivida pelos funcionários. Em grupos grandes ou em pequenas estruturas, para os assalariados lambdas ou nos escalões superiores da administração, o mal estar no trabalho e a «fobia do escritório» espreitam todos os funcionários. Amélie Oudry, psicóloga do trabalho e especialista em estresse analisa para nós as principais razões que afligem a vida no escritório.

• Pressão psicológica, assédio moral são problemas de gestão que muitas vezes, estão relacionados a um excesso de trabalho. É cada vez mais comum que um funcionário seja bastante solicitado, ele pode ser compelido a executar várias tarefas ao mesmo tempo, coisas que ele não costuma fazer normalmente e que lhe são impostas. Hoje em dia, para que um funcionário substitua outro – e portanto, faça o trabalho do outro funcionário além de seu trabalho principal é considerado comum. Sendo assim, o funcionário se encontra mais facilmente em instabilidade, ele não sabe – ou pouco sabe sobre o que o aguarda. Esta situação aumenta consideravelmente o risco de burn-out.

• O falso poder decisório (ou infantilização do funcionário) é uma sensação muito mal vivida, diariamente, por alguns funcionários. Quanto maior o grau de liderança, mais a frustração aumenta. Por exemplo, um executivo cujo cargo lhe confere uma legitimidade como pessoa que decide, mas que na verdade é um”pau-mandado” e somente executa  serviços para um superior hierárquico. O padrão geral no gerenciamento ainda é a infantilização dos funcionários, nos quais pouca confiança é depositada e têm pouca autonomia nas suas decisões. Nestas condições, fica obviamente difícil que os funcionários cresçam profissionalmente…

• A condição do ambiente de trabalho também é uma das principais causas do mal estar no escritório. Esse mal estar cresce ao mesmo tempo que os grandes espaços abertos de trabalho (os open space) se tornam a norma. Não à toa, com frequência tais espaços são apelidados de modo depreciativo: “galinheiro”, “curral”, chiqueiro”, etc. Ao mesmo tempo, que isso acaba com a intimidade (*) do funcionário, esta condição do ambiente envolve também uma infinidade de itens diários que podem rapidamente se tornar insuportáveis: poluição sonora que prejudica a concentração, toques do telefone, fragmentos de conversas … Mesmo se – na melhor das hipóteses – o ambiente entre os funcionários for excelente, isto não consegue evitar tensões. As profissões nas quais reina a concorrência associadas ao open space, não se misturam, por exemplo…

• A falta de reconhecimento no trabalho é amplamente ressentida pelos funcionários. Nas nossas empresas, a norma não consiste em elogiar um trabalhador específico por qualquer motivo. Neste contexto, os funcionários sentem que são raramente ouvidos, negligenciados por seus(s) superior (es) que lhes dão pouca ou nenhuma atenção. Esta tendência é a representação perfeita de uma ladeira escorregadia da gestão: um gerente que não ouve e é hermético às observações de sua equipe, que faz perguntas constantes sobre sua utilidade, seu verdadeiro lugar na empresa… Sem reconhecimento, o funcionário está em uma busca constante de um sentido para o seu trabalho e missão.

• Problemas de comunicação podem assumir diversas formas e se tornarem problemas em grande escala. Por um lado a comunicação verbal entre os funcionários pode ser tensa devido às condições do ambiente... O abuso verbal pode se tornar algo muito perturbador. Por outro lado, há também a comunicação interna e o fluxo das informações. Uma vez que tal funcionário não recebeu a informação por motivos que ele ignora, isso cria um clima de desconfiança, que impede a paz social na empresa. Não há nada pior, na verdade, quando todos sabem, exceto a gente. Um simples esquecimento de acréscimo de destinatário em um e-mail pode tomar um rumo desastroso

 

(*) L'Intimité au travail  (A privacidade no trabalho) de Stefana Broadbent (editora Fyp)

 

 

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