Entendendo o coronavírus como uma catástrofe ecológica

De acordo com a professora e autora americana Kate Brown, do MIT (Massachusetts Institute of Technology), “o coronavírus não é somente uma crise da saúde pública. Na verdade, é uma crise ecológica” causada pela expansão do capitalismo

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Entendendo o coronavírus como uma catástrofe ecológica (Foto: Reuters | ABr | Divulgação)


247 - Em meio a atual pandemia, muitos autores vêm questionando a natureza das relações do capitalismo, como os padrões de consumo da sociedade e a maneira como o meio ambiente vem se recuperando durante o período de quarentena. 

Para a professora do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e autora Kate Brown, também é necessário questionarmos a nossa relação com a natureza de maneira fundamental.

Para ela, a atual pandemia é produto inevitável de uma “maior, e contínua emergência de saúde.” De acordo com ela, “a história da civilização depende da construção e demolição de fronteiras entre espécies. A agricultura, inicialmente, desconsiderava a maior parte do mundo natural, a fim de se cultivar apenas as plantas e animais mais produtivos; isso permitiu que as populações crescessem e as cidades prosperassem. Mas as colheitas e o gado, uma vez concentrados em um local, tornaram-se vulneráveis ​​à doenças. À medida que as cidades e as operações agrícolas cresciam, pessoas e animais se aproximavam. O resultado foi uma nova ordem epidemiológica, na qual as doenças zoonóticas - aquelas que podem pular de animal para humano - prosperaram.”

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Assim, é natural que a imensa maioria de doenças “novas ou emergentes” se originem desde animais selvagens ou domesticados. Ela menciona um estudo que conclui que “além dos patógenos familiares - Ebola, Zika, gripe aviária, gripe suína - os pesquisadores contaram cerca de duzentas outras doenças infecciosas que surgiram mais de doze mil vezes nas últimas três décadas.”

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Ela cita também o exemplo da febre espanhola de 1918, que na verdade teve origem no Kansas, onde o mundo animal e humano viviam em proximidade. 

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Em relação ao coronavírus, “conforme Wuhan crescia, a população se espalhou pelos campos e florestas circundantes; as pessoas foram empurradas de suas pequenas fazendas e mudadas para as vastas favelas da cidade. As favelas serviam de ponte entre os espaços selvagens e os urbanos. Para sobreviver, os moradores se aventuravam nas florestas vizinhas; caçavam e criavam caça selvagem, aprisionavam, enjaulavam e criavam pangolins, jacarés, morcegos, civetas e outros animais selvagens em uma escala que obscurecia a linha entre a criação de animais domésticos e aqueles voltados para a alimentação. Ao coletar animais das florestas, eles espalharam patógenos, levando-os a uma cidade próspera que ficava a apenas um vôo de distância de Cingapura ou Sydney.”

Porém, para Brown, essa dinâmica é universal e produto direto de fatores como o crescimento econômico e a globalização. Assim, ela diz que “a grande lição do coronavírus é que não temos para onde fugir” e que “em um esforço para expandir nosso alcance em todo o planeta, nos encurralamos.”

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Para ela, é necessário que saiamos da perspectiva de que ocupamos um lugar central na ordem da natureza e que adotemos uma perspectiva mais “comunitária.” O corpo humano deve deixar de ser entendido como uma entidade contida em si próprio, mas sim como “um ecossistema microbiano que varre as correntes atmosféricas, coletando gases, bactérias, esporos de fungos e toxinas transportadas pelo ar em suas redes.” Assim, ela conclui que “para responder totalmente ao que aconteceu, precisamos refletir sobre as redes ecológicas mundiais que unem todos nós.”

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