Boeira: Lava Jato repete a chamada República do Galeão

Segundo o professor Marino Boeira, "como em 54, usando um pretexto correto de combater a corrupção, o que atende o desejo da maioria da população, os novos investigadores não escondem que seu objetivo maior é eliminar um governo, que mal ou bem, foi o escolhido pela maioria da população brasileira"

Segundo o professor Marino Boeira, "como em 54, usando um pretexto correto de combater a corrupção, o que atende o desejo da maioria da população, os novos investigadores não escondem que seu objetivo maior é eliminar um governo, que mal ou bem, foi o escolhido pela maioria da população brasileira"
Segundo o professor Marino Boeira, "como em 54, usando um pretexto correto de combater a corrupção, o que atende o desejo da maioria da população, os novos investigadores não escondem que seu objetivo maior é eliminar um governo, que mal ou bem, foi o escolhido pela maioria da população brasileira" (Foto: Roberta Namour)

Por Marino Boeira, para o Sul 21 

Quem conhece um pouco da história do Brasil já identificou na atual Operação Lava Jato uma semelhança assustadora com a chamada República do Galeão, um movimento golpista que em 1954 apostou na derrubada do Presidente Getúlio Vargas.

Em 54, o atentado contra o então jornalista Carlos Lacerda, que causou a morte do major da Aeronáutica, Rubens Vaz, guarda costa particular de Lacerda, foi transformado de um caso policial, numa crise política, por envolver elementos pertencentes à guarda pessoal de Getúlio.

Um inquérito conduzido inicialmente pela polícia civil, foi transformado num Inquérito Policial Militar comandado pelos coronéis golpistas da Aeronáutica com centro na Base Aérea do Galeão,

Atentando contra todas as normas constitucionais, os oficiais da Aeronáutica, contando com o apoio de oficiais do Exército e da Marinha, sob o comando do Coronel Aviador João Adil de Oliveira, mais do que prender os envolvidos no atentado, montaram, com o apoio da imprensa do Rio de Janeiro, um grande complô destinado a derrubar o Presidente Vargas, o que só não ocorreu pelo suicídio de Getúlio Vargas no dia 24 de agosto.

Como disse uma vez Karl Marx, quando a história se repete, a segunda vez é como farsa.  A chamada Operação Lava Jato parece seguir esse modelo, ao se desviar de sua missão específica que é a de levantar o procedimento criminoso de empresários que sangraram a Petrobrás com o apoio de políticos corruptos, para uma campanha destinada a desestabilizar o governo da Presidente Dilma, democraticamente eleito no ano passado.

Já há algum tempo, policiais e procuradores envolvidos na operação, colocaram em suspeição a sua imparcialidade como, quando nas vésperas das eleições, se manifestarem publicamente em favor da candidatura Aécio Neves.

Agora, alguns deles fazem mais, adotando um procedimento totalmente incompatível para quem pretende assumir uma posição de isenção frente aos fatos ocorridos.

Como relatou em sua coluna dominical na Folha de São Paulo, o jornalista Janio de Freitas, um dos procuradores participantes da operação fez uma pregação pública numa igreja batista do Rio de Janeiro, convocando os fiéis a se integrarem a pretendida manifestação contra o Governo no próximo dia 16.

Segundo o jornalista, o Procurador Deltan Dallagnol, usando em sua exposição os gráficos exibidos dias antes na TV ” fez uma exposição entremeada de citações bíblicas pedindo que seus irmãos de fé acompanhem a página de determinado pastor na internet, que difunde o espírito cruzado da Lava Jato. E foi mais longe: concitou à mobilização dos crentes para uma agenda de manifestações “contra a corrupção”, entre elas, uma pregação que se pretende nacional”.

Como em 54, usando um pretexto correto de combater a corrupção, o que atende o desejo da maioria da população, os novos investigadores não escondem que seu objetivo maior é eliminar um governo, que mal ou bem, foi o escolhido pela maioria da população brasileira.

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