Colunistas reconhecem amadurecimento de Marina

Vinicius Mota relaciona o seu desempenho nas pesquisas à alta da corrente liberal e cita sua aproximação com André Lara Resende, um dos economistas brasileiros pais do século passado, mentor do Plano Real. Valdo Cruz diz que ex-senadora tem potencial para se tornar maior dor de cabeça de Dilma e avalia como assertiva sua crítica aos atos que extrapolam os limites da desobediência civil aceitável

BRASÍLIA, DF, 16.08.2013: MARINA SILVA/DF - A ex-senadora Marina Silva fala com a imprensa após reunião com a Juíza Corregedora do TSE, Laurita Hilário Vaz sobre a criação do partido Rede Sustentabilidade, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 16.08.2013: MARINA SILVA/DF - A ex-senadora Marina Silva fala com a imprensa após reunião com a Juíza Corregedora do TSE, Laurita Hilário Vaz sobre a criação do partido Rede Sustentabilidade, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress) (Foto: Roberta Namour)
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247 – Após a entrevista concedida à Folha, Marina Silva conquista boas criticas de colunistas do jornal. Apesar de o editorial dizer que lhe faltam raízes para seguir adiante em projeto presidenciável de 2014, Valdo Cruz e Vinicius Mota reconhecem amadurecimento político da candidata. Leia:

VINICIUS MOTA

Os liberais de cada um

SÃO PAULO - Marina Silva deu mostras de ter amadurecido na entrevista publicada ontem nesta Folha. O discurso da ordem não se restringiu à crítica dos protestos violentos, na qual empregou sem assombro o termo "Estado democrático de direito", frequente no léxico conservador.

Em dois outros momentos, a presidenciável endossou ideias de orientação liberal na economia. Autonomia do Banco Central? "Fundamental". Pretende encarar uma nova reforma na Previdência? Sim.

Na eleição de 2010, Marina já acenava à chamada ortodoxia econômica, no meio de um palavreado confuso e contraditório. Parece que a fase de dúvidas passou.

Sem entrar no mérito da convicção da ex-ministra, há boas razões práticas para abraçar a causa. Hegemônica nos últimos cinco anos, a condução alternativa, "desenvolvimentista", está desmoralizada pelos frustrantes resultados entregues.

O próprio governo reconhece a derrota e corrige a rota da pilotagem econômica. Fará concessões adicionais à cartilha liberal, tantas quanto julgar necessárias para manter-se no poder. Tem um time reserva, orientado pelo treinador Palocci, pronto para entrar em campo se for preciso.

A turma liberal tucana, aliviada com o afastamento de José Serra --para ela um desenvolvimentista da Unicamp--, está firme com Aécio Neves. Armínio Fraga, ex-chefe do BC, encabeça este grupo.

Nesse quadro, é natural que Marina Silva, cujo desempenho de segunda colocada nas intenções de voto melhorou, arregimente os seus próprios liberais. Recebe a aproximação de André Lara Resende, um dos melhores economistas brasileiros do século passado, mentor do Plano Real.

Decerto se trata de um Lara Resende modificado, excêntrico e desalentado com as peripécias recentes da economia global. Pensa alto se vale mesmo a pena o crescimento econômico. Ainda assim, não se recusa um Lara Resende.

VALDO CRUZ

Medo da autoridade

BRASÍLIA - Por mais que o petismo diga que Marina Silva não mete medo, a candidata verde passou a preocupar, sim, os responsáveis pela missão de reconduzir Dilma Rousseff a um segundo mandato.

Seus recentes movimentos na direção de economistas como André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, deixaram desconfiados estrategistas da dona do Planalto.

Sua entrevista na Folha deveria, por sinal, ser levada em conta pela tropa da presidente como sinalizador do que pode ter pela frente, além do que já considera sabido.

Como segunda colocada nas pesquisas, posição conquistada por influência dos recentes protestos de rua, Marina não hesitou em criticar atos que extrapolam os limites da desobediência civil aceitável. Não foi dúbia. Foi bem assertiva.

Algo que, na avaliação de alguns petistas graúdos e lulistas, a atual mandatária do país não foi até aqui. Pelo contrário, dizem eles, Dilma teria deixado a desejar neste ponto.

O risco, no momento, é acreditar, com certo alívio, que o problema não é mais do Executivo. Dado que, agora, os protestos são contra os governadores do Rio e de São Paulo.

Nada mais perigoso. O clima de baderna fere a todos, em maior ou menor grau. Como um assessor presidencial admitiu, investidores estrangeiros postergaram investimentos por causa dos protestos.

Seria péssimo que isso continuasse a ocorrer quando se aproximam os leilões de concessões de rodovias e aeroportos, vitais para o país sair do crescimento medíocre.

Enfim, Marina hoje não é a principal dor de cabeça da presidente, mas mostrou potencial para virar. Seus problemas reais estão na economia, com dólar em disparada, e no Congresso, com ameaças de derrubada de vetos nesta semana.

Áreas em que Dilma precisa restaurar sua autoridade e credibilidade. Justo dizer que deu os primeiros passos, mas falta mais. Para não colecionar derrotas e semear riscos.

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