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Morte de Aaron Swartz: um exemplo a menos do potencial da internet como espaço para o livre pensamento

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Morreu Aaron Swartz, aos 26 anos. Cometeu suicídio o moço que, aos 14, foi co-autor do RSS 1.0, uma ferramenta de programação que hoje é carne de vaca entre sites os mais diversos, na versão atualizada. Foi-se, e junto com ele uma parte significativa da militância pelo livre fluxo de informações na internet.

O ex-aluno de Stanford, que largou a graduação antes de se formar, era conhecido pelo seu intenso ativismo, defendendo a disponibilização gratuita de arquivos e documentos de interesse público. Foi responsável, por exemplo, pelo desenvolvimento de códigos e pela contratação da equipe que fizeram a Open Library (open.library.org), site com um catálogo imenso de livros digitais - gratuitos.

A encrenca continua: Swartz esteve entre os primeiros a protestar contra a Sopa e a Pipa, propostas polêmicas do Congresso dos Estados Unidos para restringir a circulação online de músicas, livros, filmes, arquivos em geral. Foi ainda processado por baixar e tentar distribuir mais de 4 milhões de documentos da Justiça norte-americana, com a intenção "vil" de distribuí-los.

A frase que melhor representa e justifica a posição de Aaron Swartz na batalha entre o trânsito gratuito de informações online de um lado e os empecilhos legais e lucrativos do outro é a declaração de Carl Malamud, outro ativista da internet, ao New York Times: "acesso ao conhecimento e à justiça se tornaram muito próximos do acesso ao dinheiro, e Aaron tentou mudar isso. O que nunca deveria ter sido considerado como crime."

Concordando-se ou não com as atitudes do web-ativista, é inegável a habilidade com que ele anteviu tendências: a Open Library, por exemplo, é a versão Linux (gratuita, aberta, colaborativa) do programa de disponibilidade do acervo conduzido pela Biblioteca da Universidade de Harvard.

Há diferenças, claro. Erguida por Swartz e sua equipe, mas alimentada pelo público, principalmente, a Open Library começou em 2008 e segue em pleno funcionamento. Harvard está em vias de concretizar a iniciativa, auxiliada pelo Google e atrasada devido aos diversos empecilhos de legislações ao redor do mundo.

No Brasil, a repercussão da morte de Swartz passou quase despercebida. Simbólico, no mínimo. Algumas notas, textos breves em sites de maior audiência; em outros, simplesmente ignorada. Ainda que, na terra onde a Justiça derruba sites ao menor aceno de qualquer celebridade, talvez fosse de maior interesse público conhecer a trajetória desse ativista do que as novidades da dolce vita no Leblon e em Copacabana.

Aaron Swartz é uma estrela do lado B do universo da informática, que tem preferência por gênios à la Steve Jobs, Bill Gates, Mark Zuckerberg. Contrapondo-se a estes, por entregar o controle ao público, o web-ativista priorizou a vocação dos pântanos da internet como terreno fértil para decisões mais democráticas do que empresariais. Resta o consolo do tuíte de t.c. groucho (@elgroucho): "(...) a web deveria estar com a bandeira a meio-pau hj."

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