"Enquanto houver matilha, Bolsonaro manda na direita", diz Fernando Brito

"Bolsonaro e a planta carnívora em que ele floriu não vão desaparecer da cena política deixando colocar em seu lugar um novo “limpinho e cheiroso”. Por mais que digam palavras mágicas na televisão, deste caldeirão dificilmente sairá um Huck", diz o editor do Tijolaço

DEM já desembarca da candidatura de Huck
DEM já desembarca da candidatura de Huck (Foto: Divulgação/TV Globo)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Por Fernando Brito, editor do Tijolaço – Para quem já viu e viveu muito na política brasileira, devastador o sentimento que se tem ao ver o grau de acomodação da inteligência brasileira diante do espetáculo de selvageria e abjeções que passa sob a indiferença dos senhores da mídia, sem mais que alguns poucos a apontá-lo.

Salvo por Janio de Freitas e alguns poucos, ninguém deu o peso devido ao fato de que o presidente da República foi chamado de “vagabundo” e acusado de comprar deputados para seu campo político. “Não é pouca coisa em qualquer país”, diz ele, mas aqui foi, caindo na conta da “normalidade” de botequim malfrequentado da política.

Não, realmente não é pouca coisa, nem acontece por acaso, é a continuidade de um processo de destruição dos partidos políticos e sua substituição pelos tais “movimentos cívicos” que são, afinal, a “lavagem de dinheiro” que o poder empresarial industriou para levar a classe média a dar apoio a novas versões que substituam seus velhos e carcomidos quadros.

Jair Bolsonaro, embora velho inútil da política, cumpriu este papel por provir da insignificância e ter a capacidade de catalisar os “instintos mais primitivos”, que ontem chamei de “ethos da escrotidão“.

Enganaram-se achando que seu comportamento mudaria e se descolaria do pantanal da baixa política e que trataria de reorganizar a direita brasileira.

Isto continua interditado pela minoria ativíssima, a matilha que foi a coluna dorsal do processo que o levantou até onde está.

Se Dória conta com o peso que ganhar

Bolsonaro e a planta carnívora em que ele floriu não vão desaparecer da cena política deixando colocar em seu lugar um novo “limpinho e cheiroso” para continuar mantendo o Brasil longe do enfrentamento dos seus problemas de atraso e injustiça.

Por mais que digam palavras mágicas na televisão, deste caldeirão dificilmente sairá um Huck.

Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247