Fernando Brito: o isolamento está sendo demolido por picaretas e mentirosos

"Outro recorde macabro para o Brasil: 407 mortes em 24 horas e novos 3.735 casos de infecção pelo novo coronavírus", escreve o jornalista Fernando Brito. "Ainda assim, o interventor bolsonariano na Saúde recusou-se a falar a favor do distanciamento social", acrescenta ele

Valas abertas no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo, após início de epidemia do coronavírus 02/04/2020
Valas abertas no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo, após início de epidemia do coronavírus 02/04/2020 (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)
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Por Fernando Brito, no Tijolaço - Outro recorde macabro para o Brasil: 407 mortes em 24 horas e novos 3.735 casos de infecção pelo novo coronavírus.

O que nos coloca, no mundo, como o 5° maior número de novos casos e em 6° no número de mortos.

Deveria bastar isso para desmontar este crime de discutir a liberação das poucas medidas de isolamento vigentes.

Parece que não, embora haja muito mais a advertir contra este perigo.

Todos os infectologistas estão, com menor ou maior ênfase – e raramente com a indignação devida – , contra a “flexibilização da quarentena” que os governos, pelo país inteiro, querem liberar.

Ontem, tivemos as cenas incompreensíveis de uma pequena multidão entrando, ansiosa, no paraíso de suas existências: um shopping center.

Hoje, diversos relatos que me são feitos de estações de trem e de metrô com gente se aglomerando. O isolamento rastreado por celulares caiu para menos de 50% ontem, em São Paulo.

A Fiocruz adverte para uma enorme subnotificação dos casos de infecção e na contagem de mortes, pesquisas internacionais mostram uma curva de crescimento no Brasil e profissionais de sete universidades dizem que a curva de mortes de Covid-19 no Brasil está mais rápida que a da Espanha.

Ainda assim, o interventor bolsonariano na Saúde recusou-se a falar a favor do distanciamento social.

Não é ignorância, é crime e deliberado.

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