Janio de Freitas: fuga do general Pazuello da CPI é 'covardia'

"É covardia, a mesma covardia que o impediu de repelir ordens contrárias ao bom senso, ao dever do cargo e à vida de milhares”, diz o jornalista Janio de Freitas sobre a manobra do general e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello para evitar comparecer à CPI

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
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247 - O jornalista Janio de Freitas avalia, em sua coluna deste domingo (9) na Folha de S. Paulo, que a “clarinada do ‘não me toques’, protetora de militares acusados ou suspeitos de qualquer impropriedade” não irá proteger o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que teve o seu depoimento à CPI da Covid adiado sob a alegação de que havia mantido contato com pessoas que testaram positivo para o coronavírus. Para ele, a atitude revela a “covardia” do general.

“Militares valendo-se do Exército para fugir da responsabilidade por seus atos, convenhamos, até parece parte da concepção de ética militar. Os generais que mantiveram a ditadura de Getúlio, os do golpe de 64, do golpe de 68, os oficiais da tortura e dos assassinatos, os do Riocentro, esses e muitos outros construíram a praxe”, destaca. 

“Os escapismos que recaem na reputação do Exército cabem, antes de tudo, à corporação, à oficialidade, não à instituição. É a deseducação cívica em atos”. A fuga de Eduardo Pazuello vai além: não vem da arrogância infundada, ou de uso do Exército para se imaginar acobertado por conveniência da instituição. É covardia, a mesma covardia que o impediu de repelir ordens contrárias ao bom senso, ao dever do cargo e à vida de milhares”, afirma Janio de Freitas.

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