Kennedy: Delações da Odebrecht tendem a ser amplas

Segundo o colunista Kennedy Alencar, ao falar em nota de “um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país”, a Odebrecht faz uma sinalização clara de que deverá fazer revelações que alcançarão diversas legendas;  'No curto prazo, isso é péssima notícia para Dilma. Mas o PMDB e o PSDB também deverão ver caciques importantes em apuros', conclui

Segundo o colunista Kennedy Alencar, ao falar em nota de “um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país”, a Odebrecht faz uma sinalização clara de que deverá fazer revelações que alcançarão diversas legendas;  'No curto prazo, isso é péssima notícia para Dilma. Mas o PMDB e o PSDB também deverão ver caciques importantes em apuros', conclui
Segundo o colunista Kennedy Alencar, ao falar em nota de “um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país”, a Odebrecht faz uma sinalização clara de que deverá fazer revelações que alcançarão diversas legendas;  'No curto prazo, isso é péssima notícia para Dilma. Mas o PMDB e o PSDB também deverão ver caciques importantes em apuros', conclui (Foto: Roberta Namour)

247 - As delações premiadas de Marcelo Odebrecht e dos demais membros da maior empreiteira do país tendem a ser amplas e não seletivas. Segundo o colunista Kennedy Alencar, um dos principais indicadores nesse sentido é a nota divulgada pela Odebrecht, que diz: “Apesar de todas as dificuldades e da consciência de não termos responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato –que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país– seguimos acreditando no Brasil”.

Segundo ele, ao falar de “um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país”, há uma sinalização clara de que a empresa deverá fazer revelações que alcançarão diversas legendas.
Kennedy afirma ainda que na entrevista coletiva da 26ª fase da Operação Lava Jato, investigadores apontaram para um ambicioso esquema de pagamento de propina.

De acordo com o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, a Lava Jato irá além das falcatruas na Petrobras. Investigará mais do que um partido. E já teria material apreendido na Xepa sobre eventuais crimes da Odebrecht em contratos com o governo federal e governos estaduais.

“No curto prazo, isso é péssima notícia para Dilma, sobretudo porque há evidências de pagamentos ilegais ao marqueteiro João Santana no ano da reeleição da presidente e nos primeiros meses do segundo mandato. Mas o PMDB e o PSDB também deverão ver caciques importantes em apuros”, conclui (leia aqui).

Abaixo, a íntegra da nota da Odebrecht publicada pelo jornal “O Globo”:

As avaliações e reflexões levadas a efeito por nossos acionistas e executivos levaram a Odebrecht a decidir por uma colaboração definitiva com as investigações da Operação Lava Jato.

A empresa, que identificou a necessidade de implantar melhorias em suas práticas, vem mantendo contato com as autoridades com o objetivo de colaborar com as investigações, além da iniciativa de leniência já adotada em dezembro junto à Controladoria Geral da União.

Esperamos que os esclarecimentos da colaboração contribuam significativamente com a Justiça brasileira e com a construção de um Brasil melhor.

Na mesma direção, seguimos aperfeiçoando nosso sistema de conformidade e nosso modelo de governança; estamos em processo avançado de adesão ao Pacto Global, da ONU, que visa mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores reconhecidos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção; estabelecemos metas de conformidade para que nossos negócios se enquadrarem como Empresa Pró-Ética (da CGU), iniciativa que incentiva as empresas a implantarem medidas de prevenção e combate à corrupção e outros tipos de fraudes. Vamos, também, adotar novas práticas de relacionamento com a esfera pública.

Apesar de todas as dificuldades e da consciência de não termos responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato – que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país – seguimos acreditando no Brasil.

Ao contribuir com o aprimoramento do contexto institucional, a Odebrecht olha para si e procura evoluir, mirando o futuro. Entendemos nossa responsabilidade social e econômica, e iremos cumprir nossos contratos e manter seus investimentos. Assim, poderemos preservar os empregos diretos e indiretos que geramos e prosseguir no papel de agente econômico relevante, de forma responsável e sustentável.

Em respeito aos nossos mais de 130 mil integrantes, alguns deles tantas vezes injustamente retratados, às suas famílias, aos nossos clientes, às comunidades em que atuamos, aos nossos parceiros e à sociedade em geral, manifestamos nosso compromisso com o país. São 72 anos de história e sabemos que temos que avançar por meio de ações práticas, do diálogo e da transparência.

Nosso compromisso é o de evoluir com o Brasil e para o Brasil.

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