'Redes sociais precisam drenar lodo tóxico', diz jornalista filipina premiada

A jornalista filipina Maria Ressa, que vem sendo perseguida em seu país por praticar um jornalismo independente, afirma que aqueles que não denunciam a cooptação dos grupos de poder acaba se enquadrando automaticamente no sistema - e, com isso, passa a ser "parte do problema"; eleita pela Revista Time como uma das Pessoas do Ano 2018, Ressa dá uma longa entrevista ao jorna Folha de S. Paulo e diz que é preciso rastrear as fake news e apontar seus autores

'Redes sociais precisam drenar lodo tóxico', diz jornalista filipina premiada
'Redes sociais precisam drenar lodo tóxico', diz jornalista filipina premiada

247 - A jornalista filipina Maria Ressa, que vem sendo perseguida em seu país por praticar um jornalismo independente, afirma que aqueles que não denunciam a cooptação dos grupos de poder acaba se enquadrando automaticamente no sistema - e, com isso, passa a ser "parte do problema". Eleita pela Revista Time como uma das Pessoas do Ano 2018, Ressa dá uma longa entrevista ao jorna Folha de S. Paulo e diz que é preciso rastrear as fake news e apontar seus autores. 

A reportagem destaca a perseguição que Maria Ressa vem recebendo do governo de seu país: "na mesma terça-feira (11) em que era anunciada pela revista Time como uma das Pessoas do Ano 2018, a filipina Maria Ressa, depositava uma fiança de 60 mil pesos (cerca de R$ 4.500) para evitar ser presa. Desde julho, a jornalista e o Rappler, site de notícias que ela fundou e preside, têm sido acusados de fraude fiscal pelo governo, que já tentou sem sucesso cassar a licença de funcionamento da empresa. 'Querem deixar claro que vão dificultar muito nossa vida. Já entendemos, mas vamos continuar fazendo nosso trabalho', disse Maria."

O jornal contextualiza o trabalho de Ressa: "criado em 2012, o Rappler, como outros meios de comunicação, entrou na mira do presidente Rodrigo Duterte pela cobertura crítica da guerra às drogas —que, segundo entidades de direitos humanos, já deixou mais de 12 mil mortos desde 2016. O site e Maria viraram alvo preferencial do governo filipino, após série de reportagens sobre como Duterte e seus aliados usaram contas falsas em mídias sociais e pagaram trolls para disparar mensagens em massa e manipular a opinião pública."

Ressa destaca que "o grande problema é deixar que as mentiras circulem livremente nas redes sociais. É preciso mapear as redes que estão espalhando fake news, rastrear as fontes. É possível e é necessário fazer isso."

A jornalista diz que é preciso drenar o lodo tóxico das redes sociais e que os veículos de mídia devem trabalhar juntos para combater as fake news, uma vez que todos eles serão atacados, mais cedo ou mais tarde, por essa prática criminosa e diversionista. 

Sobre a propagação de fake news em redes sociais, ela diz; "essas empresas são hoje o maior distribuidor de notícias do mundo, e viraram todo o sistema de cabeça baixo. Além de terem capturado o faturamento dos grupos tradicionais, não assumiram a responsabilidade, na esfera pública, de proteger as informações. Seus algoritmos tratam mentiras e fatos da mesma forma, o que põe em perigo democracias no mundo todo. Achamos que é possível limpar esse lodo tóxico e usar a ferramenta para construir instituições de baixo para cima."

A jornalista avança em estratégias para combater o problema: "já é possível ver uma ação forte nos Estados Unidos, com as audiências no Senado, que expuseram claramente como as mídias sociais foram transformadas em armas. É importante expor como as redes sociais estão sendo usadas para controlar a narrativa política, e como grupos como a Cambridge Analytica têm atuado em eleições em vários países.
As gigantes de tecnologia terão que mudar, terão que limpar as redes sociais. Não acho que tenham escolha, se quiserem sobreviver."

 

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