Tijolaço: Cunha manda seus sinais

Jornalista Fernando Brito observa que "a chantagem [de Cunha] sobre Temer só poderia partir do princípio de que ele tivesse alguma condição de 'pagar' pelos segredos com o alívio da situação judicial do ex-presidente da Câmara e diretor", mas "não parece que Temer reúna condições de fazer isso"; "Os procuradores, estes têm, e cada vez mais. E não é difícil que peçam uma 'amostra grátis' a Cunha para começarem as conversas sobre delação premiada", afirma

Brasília- DF 01-07-2015- Vice-Presidente Michel Temer, Eduarado Cunha, Renan Calheiros, Presidente do PT, Rui Falcão durante posse da presidente do PCdoB, Luciana Santos. Foto: Lula Marques/ Agência PT
Brasília- DF 01-07-2015- Vice-Presidente Michel Temer, Eduarado Cunha, Renan Calheiros, Presidente do PT, Rui Falcão durante posse da presidente do PCdoB, Luciana Santos. Foto: Lula Marques/ Agência PT (Foto: Gisele Federicce)

Por Fernando Brito, do Tijolaço

O comentarista político Kennedy Alencar registra o mesmo que, desde ontem, era possível perceber:

No Palácio do Planalto, a leitura política sobre as perguntas da defesa de Eduardo Cunha a Michel Temer foi a de que o ex-presidente da Câmara fez insinuações a respeito da conduta do presidente a fim de se posicionar publicamente para tentar negociar uma delação premiada com a Procuradoria Geral da República. Nas perguntas apresentadas no processo contra Cunha que tramita sob os cuidados do juiz Sérgio Moro, o peemedebista insinua que conhece segredos de Temer.

Pode ser, mas a atitude de Sérgio Moro, ao vetar ostensivamente todas as perguntas que poderiam colocar Temer em “saia-justa”, não é sinal que a Força Tarefa da Lava Jato, ao menos até agora, estejam mirando o atual ocupante do Planalto e certamente que não com o apetite com que se voltaram para Dilma Rousseff e Lula.

Talvez a situação seja mais próxima do que diz o próprio Kennedy, no título que dá a nota no seu blog: Para Planalto, Cunha faz chantagem e busca delação.

A chantagem sobre Temer, evidente, só poderia partir do princípio de que ele tivesse alguma condição de “pagar” pelos segredos com o alívio da situação judicial do ex-presidente da Câmara e diretor do espetáculo que o levou ao posto presidencial.

Não parece que Temer reúna condições de fazer isso.

Mas os procuradores, estes têm, e cada vez mais.

E não é difícil que peçam uma “amostra grátis” a Cunha para começarem as conversas sobre delação premiada.


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