Tijolaço: petróleo continua sendo negócio das Arábias

Jornalista Fernando Brito repercute reportagem de capa da revista The Economist, que destaca o que chama de "A venda do século", sobre a Aramco, companhia estatal que controla a produção de petróleo na Arábia Saudita e que cogita vender uma parte não especificada de seu capital, hoje totalmente sob controle do Governo; para ele, a imprensa no Brasil está "comendo mosca", "muito preocupada em dizer que a crise da Petrobras é fruto das roídas dos ratos que por lá andaram, minimizando os efeitos da estúpida crise mundial do petróleo"

Jornalista Fernando Brito repercute reportagem de capa da revista The Economist, que destaca o que chama de "A venda do século", sobre a Aramco, companhia estatal que controla a produção de petróleo na Arábia Saudita e que cogita vender uma parte não especificada de seu capital, hoje totalmente sob controle do Governo; para ele, a imprensa no Brasil está "comendo mosca", "muito preocupada em dizer que a crise da Petrobras é fruto das roídas dos ratos que por lá andaram, minimizando os efeitos da estúpida crise mundial do petróleo"
Jornalista Fernando Brito repercute reportagem de capa da revista The Economist, que destaca o que chama de "A venda do século", sobre a Aramco, companhia estatal que controla a produção de petróleo na Arábia Saudita e que cogita vender uma parte não especificada de seu capital, hoje totalmente sob controle do Governo; para ele, a imprensa no Brasil está "comendo mosca", "muito preocupada em dizer que a crise da Petrobras é fruto das roídas dos ratos que por lá andaram, minimizando os efeitos da estúpida crise mundial do petróleo" (Foto: Aquiles Lins)
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Por Fernando Brito, do Tijolaço - A imprensa brasileira, em geral, está "comendo mosca".

Muito preocupada em dizer que a crise da Petrobras é fruto das roídas dos ratos que por lá andaram, minimizando os efeitos da estúpida crise mundial do petróleo, pouco ou nada falou do que a revista The Economist publicou, indagando se será "A venda do Século".

A Aramco, companhia estatal que controla a produção de petróleo na Arábia Saudita cogita vender uma parte não especificada de seu capital, hoje totalmente sob controle do Governo.

A empresa (que nasceu com o nome de California-Arabian Standard Oil, vejam só...) pode fazer de volta o caminho que percorreu desde que, nos anos 70, começou a ser progressivamente assumida pelo estado saudita, na década seguinte.

Tem 261 bilhões de barris em reservas e extrai, por dia, mais que toda a América Latina, incluidos aí Venezuela e Equador, dois megaprodutores e exportadores de óleo: 11 milhões de barris.

Há pouca informação, mas parece evidente que o rebaixamento do preço do petróleo a níveis absurdamente artificiais apertou os sauditas a um nível que já não podem suportar, quando a política do país foi recusar a posição de outros integrantes da Opep para reduzir a produção e impedir parte da queda.

"Tudo está sobre a mesa. Estamos dispostos a considerar opções que não estavam dispostos a chegar em nossas cabeças em torno no passado", diz um funcionário da Aramco à The Economist.

Os nossos amigos "economistas-contadores", que só enxergam contas e planilhas bem que poderiam explicar porque é que, segundo a consultoria Rystad Energy, citada pela revista, os EUA conseguem sustentar a viabilidade de sua indústria de petróleo – especialmente a do "shale oil" extraindo a um custo duas vezes superior ao preço de venda até por de joelhos os sauditas, que ainda retiram o barril por metade do valor oferecido pelo mercado.

(Aliás, num parêntesis, a um custo bem semelhante ao do pré-sal brasileiro).

A resposta que eles não podem dar é a de que petróleo é política.

Não é uma simples gosma viscosa e fedorenta, é parte inseparável de qualquer projeto de soberania nacional.

Até lá na Arábia Saudita, onde transformou alguns chefes tribais seminômades, em menos de meio século, no mais poderoso país da região.

E ninguém ache que, como o petróleo tendo virado, como dizem, "uma porcaria", cujo litro vale menos que uma copinho de água mineral (R$ 0,80, à cotação de hoje), não vão correr para comprar, a preço de banana, a Saudi Aramco.

E fazer a sigla que deu nome à empresa fazer a voltar a ter o sentido original, não necessariamente na mesma ordem: Arab American Oil Company.

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