Analistas explicam por que a Marinha estadunidense envia seus navios ao mar Negro

O destróier estadunidense USS Donald Cook atravessou o estreito de Bósforo e entrou no mar Negro; analistas revelam qual pode ser o objetivo dos EUA ao enviar seus navios a essas águas; se até há pouco os navios estadunidenses entravam no mar Negro apenas esporadicamente, tudo mudou após o incidente de Kerch, quando três navios da Marinha ucraniana entraram em águas territoriais russas, violando o direito internacional, e foram detidos pelas autoridades russas por não responderem às exigências legais, disse o especialista militar Anton Lavrov

Analistas explicam por que a Marinha estadunidense envia seus navios ao mar Negro
Analistas explicam por que a Marinha estadunidense envia seus navios ao mar Negro

247, com Sputnik - O destróier estadunidense USS Donald Cook atravessou o estreito de Bósforo e entrou no mar Negro. Analistas revelam qual pode ser o objetivo dos EUA ao enviar seus navios a essas águas.

Imediatamente depois que o destróier americano atravessou o Bósforo, o navio de patrulha russo Pytlivy começou a monitorar suas ações. Além disso, na zona de controle da Frota do Mar Negro, o USS Donald Cook será vigiado por meios eletrônicos e técnicos. Se for necessário, o destróier será monitorado por aviões e drones.

A anterior visita de navios da Marinha dos EUA ao mar Negro ocorreu em julho de 2018. Nessa ocasião, o USS Mount Whitney, navio de comando da Sexta Frota, e o destróier USS Porter passaram mais de dez dias nessas águas, no âmbito das manobras Sea Breeze 2018.

Em agosto, o destróier USS Carney realizou uma breve viagem ao mar Negro. Um pouco mais tarde, o navio de desembarque Carson City se juntou a ele. Ambos os navios estiveram apenas alguns dias no mar Negro.

Naquela época, um avião Su-24 russo realizou manobras durante quase uma hora e meia perto do destróier, a uma altitude de cerca de 150 metros. O Pentágono se queixou das ações "provocativas" dos pilotos russos. Um incidente semelhante ocorreu em 2016, no mar Báltico.

Segundo a publicação russa Izvestia, os especialistas concordam que, do ponto de vista militar, o navio dos EUA não representa ameaça e que suas manobras perto da Rússia devem ser consideradas do ponto de vista político.

"É uma tentativa de mostrar que os norte-americanos também têm influência na região apoiando o governo de Poroshenko [Pyotr Poroshenko, presidente da Ucrânia]", disse o primeiro vice-presidente do Comitê Internacional do Senado russo, Vladimir Dzhabarov.

O senador considerou que a mera ação de monitorar o destróier dos EUA a partir do navio-patrulha da Frota do Mar Negro já é uma resposta suficiente à presença do USS Donald Cook.

Se até há pouco os navios estadunidenses entravam no mar Negro apenas esporadicamente, tudo mudou após o incidente de Kerch, quando três navios da Marinha ucraniana entraram em águas territoriais russas, violando o direito internacional, e foram detidos pelas autoridades russas por não responderem às exigências legais, disse o especialista militar Anton Lavrov.

Além disso, os aviões de reconhecimento e drones pesados dos EUA também estão constantemente voando ao longo da costa da Crimeia e da costa da Rússia continental na região.

"Agora os EUA estão tentando manter uma presença permanente no mar Negro, de modo que pelo menos um navio esteja sempre lá. Vamos ver quanto tempo eles conseguem manter essa presença constante, afinal, esta é uma área distante para os EUA", afirmou.

De acordo com a Convenção de Montreux sobre o Regime dos Estreitos, os navios de países não ribeirinhos do mar Negro têm o direito de permanecer lá por um máximo de 21 dias, lembrou o historiador naval Dmitry Boltenkov.

Além disso, o especialista sublinhou que os navios norte-americanos no mar Negro não representam uma ameaça à Rússia, embora sua presença tenha se tornado cada vez mais frequente. Os navios da Frota do Mar Negro controlam todos os seus movimentos, disse Boltenkov.

Segundo o especialista, é improvável que os norte-americanos possam garantir uma presença constante de seus navios no mar Negro por um longo tempo.

"Um navio de guerra moderno depende muito da infraestrutura costeira. A Romênia e a Bulgária não podem fornecê-la aos americanos. Sobre a Ucrânia, nem vou comentar. Quanto à Turquia, duvido que permita aos EUA usar suas bases, porque suas relações não são as melhores atualmente", explicou Boltenkov.

O analista militar Vladislav Shuryguin, por sua vez, não exclui que a Ucrânia use a presença dos EUA como cobertura e realize outra provocação.

"As viagens anteriores dos navios estadunidenses não foram coordenadas com as forças ucranianas. Entretanto, Kiev pode tentar realizar sua operação de forma independente, sem informar o Pentágono. Mas, é claro, os líderes militares russos estão prontos para tal cenário", concluiu o analista.

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