Breno Altman: temos que nos argentinizar

O jornalista Breno Altman analisa o movimento de resistência dos argentinos, que promovem a maior greve geral da história contra o governo neoliberal de Mauricio Macri; Ele considera que os brasileiros precisam se espelhar na ação argentina; "Sem pressão, o golpismo se perpetuará; temos que nos argentinizar", ressalta; assista a íntegra da entrevista 

Breno Altman: temos que nos argentinizar
Breno Altman: temos que nos argentinizar (Foto: Editora Brasil 247 | Reuters)

TV 247 - O jornalista Breno Altman concedeu entrevista à TV 247 e analisou a mobilização dos argentinos, que promoveram uma das maiores greves gerais da história contra o governo Macri. Ao comparar o forte engajamento argentino com a conjuntura brasileira, Altman opina: "Sem pressão, o golpismo se perpetuará. Temos que nos argentinizar".

Altman explica que é a terceira greve geral contra a política econômica do presidente Mauricio Macri. "Desta vez, o grau de unidade e mobilização é muito alto e acaba isolando o governo", observa.

Ele diz que o sindicalismo argentino é muito arraigado e forte, diferentemente do Brasil, que é muitas vezes atrelado ao poder público e cartorial. "Além disso, é complexo montar uma greve geral com as dimensões continentais do Brasil", pondera Altman.

O jornalista afirma que, ao contrário de outros povos que mostram suas reivindicações nas ruas, a expressão do povo brasileiro é através da via eleitoral. "Ir às ruas para o povo brasileiro é declarar voto ao Lula, por isso as elites precisam invalidar as eleições, dando sequência ao golpe de Estado e isolando Lula", esclarece Altman.

"Mas, dentro do contexto político que o Brasil enfrenta, a única saída institucional para enfrentar a situação que Lula o País enfrenta, passa pela mobilização popular", acrescenta Breno Altman.

Segundo o jornalista, a apatia social é a contradição que paralisa o povo. "O golpismo está isolado, a Lava Jato perde força, a república de Curitiba se enfraquece, Lula ganha cada vez mais o apoio, mas, sem pressão, o golpismo se perpetuará nas instituições. Temos que nos argentinizar", conclama.

Eleição sem Lula é fraude 

A respeito da candidatura de Lula, Altman a considera como o principal instrumento de confrontação contra o golpe. "Fica explicito que o único candidato impedido de participar da eleição é o ex-presidente, uma eleição falsa", ressalta.

Altman examina que o presidenciável Ciro Gomes (PDT) opera em dois planos: "no isolamento do PT, e movimentos em direção à direita. Com certeza são posturas completamente diferentes da Manuela D`Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL), que fazem suas campanhas eleitorais, mas denunciam as arbitrariedades da prisão de Lula", analisa. 

O jornalista conclui dizendo que Ciro não é uma saída progressista. "Para a o conjunto da esquerda brasileira, apoiar Ciro é renunciar ao protagonismo da da esquerda nos últimos 30 anos", finaliza Breno Altman. 

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