Declaração fria de Obama sinaliza apoio ao golpe

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não deu declaração contundente atestando o golpe contra a democracia brasileira em curso; por meio do porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, Obama disse que está "otimista com a capacidade do Brasil de fazer frente aos desafios econômicos e políticos" após avaliação do Fundo Monetário Internacional; FMI calcula que o Produto Interno Bruto do Brasil (PIB) recuará 3,8 por cento em 2016, contra projeção de contração de 3,5 por cento feita em janeiro

Presidente Obama faz discurso sobre Irã na Casa Branca.   REUTERS/Mike Theiler
Presidente Obama faz discurso sobre Irã na Casa Branca. REUTERS/Mike Theiler (Foto: Aquiles Lins)

(Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está otimista com a capacidade do Brasil de fazer frente aos desafios econômicos e políticos após avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI), disse a Casa Branca nesta terça-feira.

"Os Estados Unidos e o presidente Obama têm confiança na durabilidade da democracia brasileira para enfrentar esses desafios", disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a piorar sua projeção de contração da economia do Brasil este ano e alertou que as estimativas estão sujeitas a grandes incertezas, destacando a necessidade de uma política monetária apertada para levar a inflação à meta até 2017.

O FMI calcula que o Produto Interno Bruto do Brasil (PIB) recuará 3,8 por cento em 2016, contra projeção de contração de 3,5 por cento feita em janeiro.

Se confirmado, esse resultado repetiria o desempenho da economia em 2015, que foi o pior desde 1990. Na América Latina, o quadro desenhado pelo Brasil só não é pior do que as retrações de 8 e 4,5 por cento previstas respectivamente para Venezuela e Equador neste ano, ainda segundo os cálculos do FMI.

No geral, a América do Sul deve encolher 2 por cento neste ano, com a América Latina e Caribe recuando 0,5 por cento.

"...a recessão (no Brasil) afeta o emprego e a receita real e as incertezas domésticas continuam pressionando a capacidade do governo de formular e executar políticas", apontou o FMI em seu relatório "Perspectiva Econômica Global" divulgado nesta terça-feira.

Para 2017, o organismo considera que muitos dos choques de 2015 e 2016 terão chegado ao fim e a atividade brasileira deve se tornar positiva durante o ano com a ajuda da moeda mais fraca, mas ainda assim o PIB ficará estagnado.

"Essas projeções estão sujeitas a grande incerteza", alertou o FMI, sem dar mais detalhes. O desempenho da economia brasileira ajuda a pressionar as estimativas para o crescimento global, que foram reduzidas respectivamente em 0,2 e 0,1 ponto percentual para 2016 e 2017 em relação a janeiro, para expansão de 3,2 e 3,5 por cento.

A contração esperada pelo FMI para o Brasil em 2016 está em linha com a de economistas consultados na pesquisa Focus do Banco Central, mas o desempenho previsto para 2017 é um pouco mais pessimista, uma vez que a pesquisa aponta crescimento de 0,3 por cento do PIB.

Para o FMI, o governo brasileiro deveria perseverar com seus esforços de consolidação fiscal para alimentar reviravolta na confiança e nos investimentos.

Medidas tributárias são necessárias no curto prazo já que o escopo para cortar gastos discricionários são seriamente limitados, aponta o FMI, "mas o desafio mais importante é lidar com a rigidez e mandatos insustentáveis do lado dos gastos".

No relatório, o FMI ainda projetou inflação ao consumidor no Brasil de 8,7 por cento em 2016 e de 6,1 por cento no ano seguinte, em ambos os casos acima do teto da meta do governo, e afirma que a redução da alta dos preços na direção do centro do objetivo --de 4,5 por cento pelo IPCA-- até 2017 exigirá uma postura de política monetária apertada.

Para o desemprego, a projeção do FMI para este ano é de 9,2 por cento, subindo a 10,2 por cento em 2017. Já o déficit em conta corrente foi estimado em 2,0 e 1,5 por cento do PIB, respectivamente.

O FMI não mencionou o cenário político do país em seu relatório, em meio ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

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