Democratas nos EUA alertam Trump sobre os efeitos de uma guerra contra Pyongyang

Em meio às tensões na península coreana, deputados do Partido Democrata no Congresso americano apelam pela via diplomática e segura para solucionar o conflito; eles alertam que mesmo um conflito limitado provocaria um número significativo de mortes civis e militares

Exercicio de guerra entre EUA e Coreia do Sul
Exercicio de guerra entre EUA e Coreia do Sul (Foto: Leonardo Attuch)

Sputnik Brasil - Deputados democratas dos EUA alertaram a Casa Branca de que mesmo um "ataque limitado" contra a Coreia do Norte levaria a uma guerra total e a várias mortes civis e militares. A advertência é uma resposta ao secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, que ameaçou atacar bases se Pyongyang não interromper a produção de armas nucleares.

"Não existe isso de ataque limitado, ou você usa um míssil de cruzeiro nuclear ou não usa", disse a senador democrata Tammy Duckworth a jornalistas na quarta-feira. "Você terá ferimentos de grande proporção, bem como baixas civis e militares. Muitos americanos não entendem isso, e eu não acho que o presidente entenda isso a julgar pelo jeito que ele tweeta".

Duckworth, juntamente com o representante republicano Ruben Gallego, viajou para o Japão e a Coreia do Sul no início de janeiro, onde se encontraram com líderes militares e civis de ambas as nações. Eles voltaram para os Estados Unidos na terça-feira.

Gallago pressionou pela continuidade da diplomacia e das sanções como uma solução para a crise, ao invés da força militar. "Reduzir a escala de palavras provocativas e atos do presidente Trump seria útil, além de continuar a pressão contínua sobre a Rússia e a China para implementar plenamente o nosso regime de sanções".

Embora não tenham mencionado Tillerson, os comentários de Duckworth e Gallago deram uma resposta clara às palavras do Secretário de Estado. Tillerson disse na terça-feira que, enquanto Casa Branca continuava buscava uma resolução diplomática para a crise, a Coreia do Norte ainda não se revelava um "parceiro de não confiável".

Quando perguntado sobre a possibilidade de um ataque "limitado" ou "estratégico" contra as instalações nucleares da Coreia do Norte, Tillerson respondeu: "Precisamos ser muito fortes e claros sobre a situação atual". Ele acrescentou que os testes de mísseis norte-coreanos estavam mostrando rápido avanço e que a situação estava se aproximava de "um ponto de ruptura".

"Temos que reconhecer que a ameaça está crescendo e que, se a Coreia do Norte não escolher o caminho do engajamento, discussão, negociação, eles irão desencadear uma opção", afirmou.

O senador Lindsey Graham ofereceu uma abordagem diferente. Falando no American Enterprise Institute, o parlamentar disse estar "100% seguro" de que a guerra era o "último recurso" do exército dos EUA. "Eu não acho que você pode atacar a Coreia do Norte cirurgicamente ", disse Graham. "Quando digo que a opção militar é o último recurso, o faço porque milhares de pessoas podem ser mortas".

No entanto, o senador enfatizou que a opção não pode deixar de constar nos planos americanos. "Eu sei que há algum limite de tolerância na mente do presidente", disse Graham. "Eu certamente as compartilharei publicamente [até onde vai a tolerância de Trump], mas essa não é uma ideia mal concebida. Limites".

 

Graham acrescentou, o potencial da guerra em suas fronteiras era uma poderosa ferramenta de negociação contra a China. "Se a China realmente acredita que Trump pode usar força militar na Coreia do Norte, acredito que eles mudariam seu comportamento", disse Graham. "Eles dominam a economia norte-coreana".

 

Além do seu crescente programa nuclear, acredita-se que a Coreia do Norte tenha entre 2.700 e 5.500 toneladas de armas químicas e biológicas, incluindo antrax, gás sarin, armas com cepas de varíola, cólera, e agentes de vômitos. O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos estimou em 2011 que a Coreia do Norte tem o terceiro maior estoque de armas biológicas tipo no mundo.

Os norte-coreanos também acumularam enormes quantidades de armas convencionais, muitas delas posicionadas perto da fronteira com a Coreia do Sul.

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