Empresa elétrica chinesa prevê antecipar entrega de segunda linha de transmissão de Belo Monte

A elétrica chinesa State Grid prevê antecipar em meses a conclusão de um segundo linhão de transmissão de energia que escoará a produção da enorme hidrelétrica de Belo Monte, no Pará

Empresa elétrica chinesa prevê antecipar entrega de segunda linha de transmissão de Belo Monte
Empresa elétrica chinesa prevê antecipar entrega de segunda linha de transmissão de Belo Monte

247, com Reuters, por Luciano Costa - A elétrica chinesa State Grid prevê antecipar em meses a conclusão de um segundo linhão de transmissão de energia que escoará a produção da enorme hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

Originalmente previsto para entrega em dezembro de 2019, o projeto orçado em torno de 9 bilhões de reais deverá estar pronto em meados do terceiro trimestre do ano que vem, disse à Reuters um executivo responsável pelo empreendimento.

"As datas ainda não estão totalmente amarradas, à medida em que ainda estamos evoluindo nessa antecipação... o prazo original é 2 de dezembro e nosso desafio é antecipar para meados do terceiro trimestre", explicou o vice-presidente da Xingu-Rio (XRTE), subsidiária da State Grid que toca as obras, Paulo Esmeraldo.

Ele disse que o empreendimento já consumiu quase 50 por cento do orçamento e conta atualmente com cerca de 10,2 mil trabalhadores nos canteiros.

"A mobilização da obra está a pleno vapor... nós estamos antecipando o máximo possível para poder superar a estação das chuvas, que é entre dezembro, janeiro e fevereiro, quando a obra cai bastante seu ritmo", apontou Esmeraldo.

Ao concluir o linhão antes do previsto, a State Grid também adiantará a geração de caixa com o empreendimento, que passa a produzir receita assim que inicia a operação.

Mas a antecipação buscada pelos chineses visa atender também a um pedido do governo brasileiro, após linhas de transmissão de energia vistas como importantes para escoar a geração de Belo Monte para o sistema elétrico não serem entregues pelas elétricas espanholas Abengoa e Isolux, que abandonaram os projetos por dificuldades financeiras.

A falta dessas instalações de transmissão já levou a Norte Energia, que reúne os sócios de Belo Monte, a se queixar junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por entender que a produção da usina tem sido impactada negativamente pela falta de estrutura de escoamento.

"A partir desse pedido (do governo) é que nós nos empenhamos nessa antecipação. Lógico, vinculado a isso tem a receita. É uma consequência agradável, digamos. Mas a antecipação é muito boa para o sistema elétrico", disse Esmeraldo.

O empreendimento em construção pela State Grid será a maior linha de transmissão de eletricidade em ultra-alta tensão do mundo quando concluído, cruzando 2,5 mil quilômetros para levar a geração de Belo Monte, no Pará, ao Sudeste do país, onde se concentra a maior parte do consumo de energia.

Além desse linhão, a State Grid já entregou uma primeira linha de transmissão para escoar a geração de Belo Monte, um projeto em parceria com a estatal Eletrobras que entrou em operação no final do ano passado, também antes do inicialmente previsto.

Quando Belo Monte estiver concluída, o que é previsto para 2019, a usina no Xingu será uma das maiores do mundo, com 11,2 gigawatts.

No Brasil, ela ficará atrás apenas da binacional Itaipu, em parceria com o Paraguai, que soma 14 gigawatts.

Até meados de junho, a hidrelétrica havia recebido autorização para iniciar a operação em regime comercial de 15 máquinas, de um total de 24.

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