Ex-presidente de Portugal teme 3ª Guerra Mundial

Mário Soares, que governou os portugueses durante 10 anos (1986-1996) e ainda hoje é uma referência moral, intelectual e política em seu país e em toda a Europa, manda o recado: é hora de os governos domarem os mercados; caso contrário, a história passada mostra consequências desastrosas

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247 - Mário Soares governou Portugal durante 10 anos, entre 1986 e 1996. Combatente da ditadura de Salazar em seu país (foi preso 12 vezes) e co-fundador do Partido Socialista, ele até hoje é uma referência política no país, na Europa e no mundo.

Pois, durante a conferência Portugal no Mundo, Soares fez um alerta importante: se os governos nacionais continuarem reféns dos mercados o mundo pode caminhar para uma terceira guerra.

Leia o texto de Simone Duarte, do site do jornal português Público:

 Mário Soares alertou nesta segunda-feira para o facto de os governos estarem reféns dos mercados e avisou que se não se colocarem os mercados “no lugar” se poder caminhar para uma “terceira guerra mundial”.

Durante a conferência Portugal no Mundo, no âmbito dos 40 anos do semanário Expresso, o antigo Presidente da República reagiu com pouco optimismo ao discurso optimista do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que abriu o encontro.

"Acho muito difícil que se possa ultrapassar [a crise]. A crise começou nos EUA. São os mercados que governam e os governos não têm margem, porque não querem ter. Se fossemos eu e [Felipe] González [antigo chefe do Governo espanhol], obrigávamos os mercados a estar dependentes do Estado. Os mercados não podem ser os senhores do Estado e tem de haver regras”, afirmou.

Ao lado de Soares estava o antigo chefe do Governo espanhol, Filipe González, que salientou a pouca margem que os governos têm, referindo que "quem manda é Wall Street e a City”, e mostrou-se preocupado com a ausência de um projecto de país para a Espanha.

"Fomos os melhores alunos da União Monetária. Em 2007, o nosso défice público não existia. Tínhamos um superavit. Tínhamos dívidas de 30% do PIB. Mas as dívidas das famílias eram de 90% do PIB e as das empresas chegavam aos 160%/170%. E fomos vítimas da bolha especulativa”, afirmou o socialista espanhol.

Além de Mário Soares e Felipe González, participam durante todo o dia nos debates personalidades como Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia; José Ramos-Horta, ex-Presidente da República Democrática de Timor-Leste; Joaquim Chissano, ex-Presidente da República de Moçambique; Celso Lafer, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil; António Damásio, professor universitário; Miguel Poiares Maduro, professor de Direito Europeu no European University Institute; e Henrique de Castro, CEO da Yahoo.

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