Israel ataca os palestinos a ferro e fogo

Israel continua abrindo fogo e usando armas proibidas contra palestinos que realizam na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Estado sionista manifestações para exigir o direito de retorno. Os protestos designados como Grande Marcha do Retorno – durante os quais milhares palestinos se dirigem até à fronteira com Israel para exigir o direito coletivo de retorno à sua terra natal – devem prolongar-se até 15 de Maio, quando se assinala o 70º aniversário da Nakba ("catástrofe") palestina.

Palestino se desespera depois que corpo da mãe foi encontrado nos escombros de casa que, segundo testemunhas, foi derrubada por ataque de Israel na Faixa de Gaza. 04/08/2014  REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa
Palestino se desespera depois que corpo da mãe foi encontrado nos escombros de casa que, segundo testemunhas, foi derrubada por ataque de Israel na Faixa de Gaza. 04/08/2014 REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa (Foto: Reinaldo)

247, com AbrilAbril - Fontes militares israelenses estimaram à agência Reuters em 14 mil o número de manifestantes que, na quinta semana da "Grande Marcha do Retorno", se concentraram junto à linha de fronteira para tentar romper a mesma, durante mais uma jornada de luta pelo direito ao regresso à sua terra natal.

A contagem fúnebre prossegue

A morte, no último sábado, (28), de Azzam Aweida, um jovem palestino de 15 anos gravemente ferido no dia anterior por soldados isrelenses, elevou para entre 43 a 46 (as fontes divergem) o número de mortos durante os protestos que desde o dia 30 de Março passado ocorrem semanalmente, na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel.

A morte, noticia a Reuters, foi anunciada pelo Ministério da Saúde da Palestina. "O meu filho é um mártir e estou muito orgulhoso dele", afirmou Helal Aweida, pai do jovem, em declarações registradas pela agência.

Segundo a Reuters, "centenas de pessoas reuniram-se junto à sua casa, na cidade de Khan Younis, para assistir ao funeral", durante o qual "o seu corpo foi levado, envolto numa bandeira da Palestina, para uma mesquita próxima". A rede iraniana Press TV divulgou um vídeo do funeral, o qual se tornou numa combativa e indignada manifestação "de centenas de pessoas", número que a televisão Al-Jazeera confirma, referindo-se à "homenagem prestada ao jovem falecido" pelos manifestantes.

Mais de seis mil feridos

Na terça-feira passada, 24 de Abril, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês) anunciava que foram registrados "5.511 feridos pela repressão aos protestos", segundo informação divulgada pelo Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente. Com os 833 verificados na sexta-feira (27), esse número aumenta para quase 6.400.

Entre os feridos, dos quais "pelo menos 174" foram atingidos por "balas reais", "contam-se quatro funcionários dos serviços de saúde e seis jornalistas", afirma o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente em notícia colocada no seu perfil no Facebook.

Força desproporcional e armas proibidas

Israel tem estado sob a crítica internacional pelo uso desproporcional da força contra manifestantes desarmados. As Forças de Defesa Internas (IDF), para justificar o nível de força letal usada, insistem em considerar manifestantes armados de pedras, baladeiras, alicates e pneus, uma séria ameaça às suas forças na fronteira.

"Gaza está prestes a explodir", declarou ao Conselho de Segurança da ONU o coordenador Especial das Nações Unidas para o Processo de Paz no Oriente Médio, Nikolay Mladenov, no último dia 26 de Abril.

O enviado especial da ONU reportou "brevemente a situação na Síria, Iêmen e Líbano", antes de se "focar longamente na crise que se desenvolve ao longo fronteira" de Gaza com Israel. Mladenov convidou Israel "a calibrar o uso da força e minimizar o uso de munições reais" e "apelou ao Hamas e aos líderes dos protestos para manterem os manifestantes longe da fronteira".

A Prensa Latina noticiou o emprego por parte de Israel, nas manifestações de sexta-feira (27), de um "gás atípico" para reprimir os manifestantes, o qual causou "asfixia, convulsões e vômitos extremos em dezenas de manifestantes", muitos dos quais "tiveram de receber tratamento hospitalar devido à gravidade do seu estado". Em artigo de opinião intitulado "Israel usa armas químicas com bênção global", o jornalista português José Goulão denunciara, na véspera, essa situação.

O canal Al-Masdar News (AMN) dá conta da utilização, pelas forças de Israel, de "granadas de gás lacrimogêneo internacionalmente proibidas" e publica fotografias de um jovem palestino com o rosto desfeito por uma dessas granadas.

Os protestos designados como Grande Marcha do Retorno – durante os quais milhares palestinos se dirigem até à fronteira com Israel para exigir o direito coletivo de retorno à sua terra natal – devem prolongar-se até 15 de Maio, quando se assinala o 70º aniversário da Nakba ("catástrofe") palestina.

O termo refere-se à expulsão de cerca de 750 mil palestinos e à limpeza étnica levada a cabo quando da criação do Estado de Israel. Hoje, existem milhões de refugiados palestinos no mundo e estima-se que 70% dos habitantes da Faixa de Gaza sejam refugiados ou seus descendentes.

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