Japão segue vendo a Coreia do Norte como “séria ameaça”, diz relatório

O Japão considera que a Coreia do Norte segue representando uma "séria ameaça" para sua segurança, apesar da atual fase de distensão na Península Coreana e do compromisso do regime de Pyongyang para sua desnuclearização, segundo o relatório anual do Ministério da Defesa

Japão segue vendo a Coreia do Norte como “séria ameaça”, diz relatório
Japão segue vendo a Coreia do Norte como “séria ameaça”, diz relatório (Foto: Reuters - Korea Summit Press Pool)

Agência EFE - O Japão considera que a Coreia do Norte segue representando uma "séria ameaça" para sua segurança, apesar da atual fase de distensão na Península Coreana e do compromisso do regime de Pyongyang para sua desnuclearização, segundo o relatório anual do Ministério da Defesa divulgado nesta terça-feira.

O documento afirma que Pyongyang mantém posicionados "centenas de mísseis balísticos capazes de alcançar praticamente qualquer parte do Japão", entre eles o Rodong, de médio alcance, o que faz com que a percepção do país vizinho como potencial ameaça "siga sem mudanças".

O Livro Branco de Defesa do Japão, não obstante, avalia como "significativo" o compromisso para a desnuclearização da Península da Coreia realizado pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un, durante a histórica cúpula com o presidente americano, Donald Trump, em Singapura.

Nesse sentido, o documento ressalta a importância de "monitorar de forma próxima" as possíveis ações concretas empreendidas pela Coreia do Norte para se desfazer de suas capacidades nucleares e de mísseis.

O ministério japonês publicou seu relatório anual em um momento no qual o diálogo aberto entre Washington e Pyongyang para realizar a desnuclearização da Península da Coreia parece estagnado, devido às diferenças entre ambas as partes sobre como empreender este processo.

Os veículos de imprensa oficiais do regime norte-coreano e a Casa Branca trocaram acusações nos últimos dias e, na última sexta-feira, o presidente americano anunciou o cancelamento de uma viagem prevista para esta semana a Pyongyang do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo.

Além disso, o Livro Branco japonês afirma que foram intensificadas as atividades militares por parte dos países vizinhos na região da Ásia-Pacífico e, em particular, cita Rússia e China.

No caso de Pequim, o documento se refere à "escalada unilateral de suas atividades militares", o que representa uma "forte preocupação" para a segurança da região.

Moscou também mostra "uma tendência de intensificar suas atividades militares" na região, incluindo áreas próximas do território japonês, segundo o Livro Branco.

Japão mantém uma disputa com a China pela soberania das ilhas Senkaku (Diaoyu em chinês), administradas por Tóquio, mas reivindicadas por Pequim, e a tensão entre ambos aumentou por causa da construção de ilhas artificiais e instalações militares por parte do regime chinês no Mar da China Meridional.

O Livro Branco também reforça a reivindicação do Japão sobre a soberania das ilhotas de Dokdo (que Tóquio chama de Takeshima), que estão sob controle sul-coreano, e expressa preocupação do governo japonês pelas atividades militares russas nas ilhas Curilas do sul, dominadas por Moscou desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Pequim criticou hoje as acusações de Tóquio e as qualificou de "extremamente irresponsáveis". Além disso, pediu ao país vizinho que "não buscasse várias desculpas para sua expansão armamentista", durante um comparecimento à imprensa da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hua Chunying, veiculado pela agência de notícias japonesa Kyodo.

O governo sul-coreano protestou "energicamente" diante da reivindicação do Japão sobre as ilhas Dokdo e, através de um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que as ilhotas são um "território inerente da República da Coreia historicamente, geograficamente e segundo o direito internacional", informou a agência local "Yonhap".

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