Na ONU, Temer infla número de refugiados e causa polêmica

Em seu primeiro discurso na Organização das Nações Unidas, em reunião sobre refugiados e imigrantes, Michel Temer incluiu 85 mil haitianos recebidos pelo Brasil depois do terremoto de 2010 e, com isso, inflou o número de refugiados aceitos pelo País; isso porque a convenção internacional sobre o assunto define como refugiados apenas pessoas que deixam seus países motivadas por perseguição racial, religiosa, política ou social, e não por desastres naturais

Nova Iorque - EUA, 19/09/2016. Presidente Michel Temer durante sessão Plenária da Reunião de Alto Nível sobre Grandes Movimentos de Refugiados e Migrantes. Foto: Beto Barata/PR
Nova Iorque - EUA, 19/09/2016. Presidente Michel Temer durante sessão Plenária da Reunião de Alto Nível sobre Grandes Movimentos de Refugiados e Migrantes. Foto: Beto Barata/PR (Foto: Paulo Emílio)

247 - Em seu primeiro discurso na Organização das Nações Unidas, nesta segunda-feira 19, em reunião sobre refugiados e imigrantes, Michel Temer incluiu 85 mil haitianos recebidos pelo Brasil depois do terremoto de 2010 e, com isso, inflou o número de refugiados aceitos pelo País.

Isso porque a convenção internacional sobre o assunto define como refugiados apenas pessoas que deixam seus países motivadas por perseguição racial, religiosa, política ou social, e não por desastres naturais, como foi o caso dos haitianos. Temer afirmou em seu discurso na reunião que, nos últimos anos, o Brasil recebeu 95 mil refugiados. Sem os haitianos, esse número seria de apenas 8,8 mil.

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, negou que o governo tenha tentado inflar os números. Dados oficiais do próprio ministério, porém, contradizem a afirmação feita por Temer e apontam que o Brasil recebeu apenas 8,8 mil refugiados. Os haitianos possuem visto humanitário.

"Obviamente que não (houve tentativa de inflacionar os números), isso é algo correto. Os haitianos estão recebendo tratamento jurídico e social exatamente idêntico ao dos outros refugiados. Não é porque são da América Latina que eles não podem ter o mesmo tratamento. O presidente colocou muito bem esta questão, e citou exatamente o número de haitianos", afirmou Moraes. "Somente (existe confusão) talvez para vocês, para quem entende do assunto, não", completou, segundo relato do Globo.

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