Obama é criticado por ministério branco e masculino

Primeiro presidente negro dos Estados Unidos tem recebido ataques de alguns membros do seu Partido Democrata por nomear tantos homens brancos para cargos importantes em seu segundo mandato; "É vergonhoso como o inferno", declara o democrata Charles Rangel, um dos mais influentes negros do Congresso

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Por Ian Simpson

WASHINGTON, 11 Jan (Reuters) - Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, está sendo criticado por alguns membros do seu Partido Democrata por nomear tantos homens brancos para cargos importantes em seu segundo mandato.

Na quinta-feira, ele nomeou Jack Lew como secretário do Tesouro, o quarto homem branco indicado nas últimas semanas para os principais cargos de alto escalão do governo.

Antes, o senador John Kerry já havia sido escolhido para substituir Hillary Clinton no Departamento de Estado. Obama também apontou o ex-senador Chuck Hagel como secretário de Defesa, e John Brennan para o comando da CIA (Agência Central de Inteligência).

Ao mesmo tempo, o presidente perdeu a primeira mulher hispânica a participar do gabinete, a secretária do Trabalho Hilda Solis, que anunciou sua renúncia na quarta-feira. E no mês passado Lisa Jackson, que é negra, decidiu deixar o comando da Agência de Proteção Ambiental.

"É vergonhoso como o inferno", disse o democrata Charles Rangel, um dos mais influentes negros do Congresso, sobre as nomeações de Obama.

A senadora democrata Jeanne Shaheen, de New Hampshire --único Estado a ter uma bancada federal totalmente feminina--, descreveu as nomeações do presidente como "frustrantes".

"Precisamos de um governo que se pareça com os EUA, para podermos tratar das preocupações que escutamos de todo o espectro", disse.

Os republicanos também se somaram às críticas. O ex-pré-candidato presidencial Mike Huckabee acusou Obama de travar uma "guerra às mulheres", mesma expressão que os democratas cunharam para criticar o candidato presidencial republicano Mitt Romney durante a campanha do ano passado.

"Agora muitas dessas mulheres que apoiaram Barack Obama estão coçando suas cabeças e dizendo: 'Puxa! Como pode que haja tanta testosterona no gabinete de Obama, e tão pouco estrógeno?", questionou o ex-governador de Arkansas no seu programa de rádio.

Essa crítica a Obama chega a ser surpreendente, porque em geral os republicanos são acusados de serem insensíveis à diversidade de gênero e raça. O ex-presidente George W. Bush se contrapôs a isso nomeando dois negros para o Departamento de Estado durante seus oito anos de governo -- Colin Powell e Condoleezza Rice.

Depois de Rice, já no governo Obama, o cargo foi para a democrata Hillary. Se Kerry for confirmado pelo Senado, ele será o primeiro homem branco no cargo em mais de uma década.

A crítica feita a Obama não leva em conta, no entanto, o anúncio feito nesta semana pela Casa Branca de que o secretário de Justiça, o negro Eric Holder, ficará no cargo.

Além disso, havia nos meios políticos a ampla suposição de que Obama cogitava nomear como secretária de Estado a embaixadora do país na ONU, Susan Rice, que é negra. Ela retirou seu nome de consideração por causa de objeções republicanas a declarações que ela fez depois do atentado de 2012 contra o consulado dos EUA em Benghazi, na Líbia.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, pediu na quarta-feira aos críticos que esperem Obama concluir as nomeações.

"As mulheres estão bem representadas no primeiro escalão presidencial", disse ele a jornalistas, observando que o gabinete inclui também Janet Napolitano (Segurança Interna) e Kathleen Sebelius (Saúde).

No primeiro mandato de Obama, a participação feminina no gabinete chegou a 36 por cento, cifra apenas inferior à do governo de Bill Clinton (1993-2001).

(Reportagem de Ian Simpson)

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