Organizações chilenas criticam tentativas de eliminar Unasul

Várias organizações políticas do Chile, integrantes do Foro de Sao Paulo, criticaram o governo do presidente Sebastián Piñera por suas manobras para pôr fim à União de Nações Sul-americanas (Unasul); mesmo o prédio onde está sediado o órgão (foto) está ameaçado de confisco pelo governo do Equador 

Organizações chilenas criticam tentativas de eliminar Unasul
Organizações chilenas criticam tentativas de eliminar Unasul (Foto: SEBASTIAN CRESPO)

247, com Prensa Latina - Várias organizações políticas do Chile, integrantes do Foro de São Paulo, criticaram o governo do presidente Sebastián Piñera por suas manobras para pôr fim à União de Nações Sul-americanas (Unasul).

Em um comunicado emitido em Santiago, partidos e movimentos de esquerda chilenos indicaram que o chanceler, Roberto Ampuero, abriu uma rodada de consultas com países da região por uma saída definitiva da Unasul.

Segundo o texto, Ampuero adianta conversas a respeito com as chancelarias da Argentina, Uruguai, Colômbia, Paraguai, Brasil e Peru.

'Já em abril os governos desses mesmos países tinham anunciado sua decisão de suspender por tempo indeterminado sua participação na Unasul. A ideia seria passar, no curto prazo, de um congelamento temporário à saída definitiva da entidade', anotaram.

O grupo de assinantes do texto, encabeçado pelo Partido Comunista, recordou que o novo governo de direita da Colômbia, presidido por Iván Duque, já tinha confirmado sua decisão de abandonar a Unasul, no momento em que o chefe do Pentágono, o general de reserva e veterano da guerra contra o Iraque, James Mattis, realizava uma viagem pelo Brasil, Argentina e Chile, destacou.

'Sem dúvida, faz parte de uma orientação estratégica da direita regional e do mundo conservador na América Latina (...) para terminar também com os mecanismos de integração independentes (...)', precisou.

O comunicado, assinado por outras sete organizações ou movimentos políticos, reforçou a ideia de levar os países do continente a se alinharem dentro da esfera de influência dos Estados Unidos com seu 'braço executor (a OEA)'.

Alertou que o próximo passo poderia ser reduzir a Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos) à sua mínima expressão.

'As falsas razões que se esgrimiram se relacionam com as dificuldades para a eleição de seu secretário geral e com um suposto caráter 'chavista' da entidade, na qual, no entanto, todos os países têm a mesma capacidade de decisão', disse.

Igualmente, o texto recorda que no Tratado Constitutivo da Unasul se propunha o desenvolvimento de um processo flexível e gradual de construção participativa e consensuada de um espaço de integração regional.

'Desde então, os avanços da Unasul são evidentes: tem impulsionado o desenvolvimento de seus países membros com políticas integradoras em matéria de energia, conectividade física e infraestrutura (...)', afirmou.

'Constitui um fato de enorme gravidade para os interesses soberanos do Chile que se tente a desarticulação da Unasul, que tem permitido dar um passo adiante para falar com voz própria no concerto das nações do mundo', sentenciou.

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