Para chegar a acordo com EUA, China muda pacto comercial

Pequim enviou a Washington mudanças sistemáticas ao esboço de quase 150 páginas do acordo comercial que acabaria com meses de negociações entre as duas maiores econômicas do mundo; no final de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou elevar as tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses entre 10% e 15%

Para chegar a acordo com EUA, China muda pacto comercial
Para chegar a acordo com EUA, China muda pacto comercial

Reuters - Pequim enviou a Washington na sexta-feira à noite mudanças sistemáticas ao esboço de quase 150 páginas do acordo comercial que acabaria com meses de negociações entre as duas maiores econômicas do mundo, de acordo com três fontes do governo dos Estados Unidos e três fontes do setor privado com conhecimento das negociações.

O documento estava cheio de mudanças em que a China voltava atrás em itens que afetaram as principais demandas dos EUA, disseram as fontes à Reuters.

Em cada um dos sete capítulos do esboço do acordo comercial a China retirou seus compromissos para mudar leis que resolveriam as principais reclamações que levaram os EUA a lançarem uma guerra comercial: roubo de propriedade intelectual e segredos comerciais dos EUA, transferências forçadas de tecnologia, acesso a serviços financeiros e manipulação cambial.

O presidente dos EUA, Donald Trump, respondeu no Twitter no domingo com a promessa de elevar as tarifas sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses de 10 a 25 por cento na sexta-feira —calculado para acontecer no meio de uma visita do vice-premiê chinês, Liu He, a Washington para continuar com as negociações comerciais.

A retirada de linguagem legal vinculativa do esboço afetou diretamente a mais alta prioridade do representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer —para quem mudanças nas leis chinesas são essenciais para verificar o cumprimento das medidas após anos do que autoridades norte-americanas chamaram de promessas vazias de reformas.

Lighthizer pressionou muito por um regime de cumprimento mais parecido com aqueles usados para sanções econômicas —como as adotadas sobre a Coreia do Norte ou Irã — do que um acordo comercial típico.

"Isso prejudica a arquitetura principal do acordo", disse uma fonte de Washington com conhecimento das discussões.

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