Paris fecha bares a partir de terça, mas mantém restaurantes abertos com mesas de seis pessoas

As medidas de restrição abrangem outras dez grandes cidades francesas, que foram declaradas como áreas de "alerta máximo" para a Covid-19

(Foto: Charles Platiau / Reuters)
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Da RFI - Os bares e cafés de Paris e de 123 municípios da região metropolitana fecharão as portas a partir de terça-feira (6) para conter a propagação preocupante da epidemia de coronavírus. Os restaurantes permanecerão abertos, mas com número reduzido de clientes – mesas de no máximo seis pessoas – e um rígido protocolo sanitário. As medidas de restrição abrangem outras dez grandes cidades francesas, que foram declaradas como áreas de "alerta máximo" para a Covid-19.

As medidas de restrição, anunciadas nesta segunda-feira (5), entram em vigor amanhã por 15 dias. Além do fechamento completo de bares e cafés, feiras de negócios e congressos que estavam previstos serão adiados e os que estavam em andamento serão encerrados, explicou o chefe da polícia de Paris, Didier Lallement. Os shoppings só poderão acolher a metade dos clientes. A venda avulsa de bebidas alcoólicas ficará proibida no período.

Nos restaurantes, além da obrigatoriedade do uso de máscaras e distribuição de álcool gel, a distância mínima entre as mesas deverá ser de um metro, respeitando a capacidade máxima de um cliente por quatro metros quadrados e seis pessoas por mesa. Os donos de restaurantes também deverão anotar os dados dos clientes para contatos telefônicos futuros, em caso de contaminação pelo coronavírus.

O presidente do Sindicato Nacional de Profissionais Independentes da Hotelaria e Restaurantes, Marcel Bénézet, que reúne cafés, bares e "brasseries", reagiu com "uma grande tristeza” ao anúncio das autoridades. “Vai ser um desastre econômico”, disse Bénézet à radio France Info. "Receio que, econômica e psicologicamente, o dano seja muito maior do que o coronavírus", acrescentou. Ele afirmou que conhece "muitos líderes empresariais que têm tomado antidepressivos e analgésicos" diante das incertezas de perenidade dos seus negócios.

Cerca de dez grandes cidades francesas, como Lille, Lyon, Grenoble, Toulouse e Saint-Etienne, onde a situação sanitária continua preocupante, deverão respeitar as mesmas recomendações. Já em Marselha (sul), os restaurantes que estavam fechados há uma semana podem reabrir a partir desta segunda-feira (5). A cidade registrou uma queda nas contaminações.

Universidades com capacidade reduzida

Com a passagem para uma "área de alerta máximo", as universidades, que têm se revelado grandes focos de transmissão da Covid-19, deverão limitar a 50% o número de alunos nas salas de aula e anfiteatros.

As piscinas, academias de ginástica e ginásios esportivos cobertos serão fechados por duas semanas. Estádios e campos de treinamento abertos poderão funcionar sob certas condições. “Todo equipamento de exterior pode permanecer aberto desde que reúna menos de 1.000 pessoas ou 50% da sua capacidade máxima, se for inferior a este número limitado de pessoas”, acrescentou o chefe da polícia.

O governo lembrou também a necessidade de se privilegiar "mais do que nunca" o home office na região parisiense. Nas casas de repouso, as visitas voltam a ser agendadas.

Reduzir a pressão nas UTIs

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, reconheceu que a França atravessa uma segunda onda da epidemia de coronavírus e considerou a situação na região parisiense "particularmente grave".

O diretor da Agência Regional da Saúde da região metropolitana de Paris, Aurélien Rousseau, reveleou que nos próximos 15 dias a ocupação dos leitos de UTI por pacientes da Covid-19 vai alcançar 50% das vagas. "Temos respiradores, medicamentos, equipamentos de proteção individual para os profissionais da saúde, mas a tensão nos recursos humanos é extremamente forte", advertiu Rousseau.

Atualmente, 36% dos leitos de terapia intensiva nos hospitais da região estão ocupados com pacientes da Covid-19, acima do patamar crítico fixado em 30% pelo Ministério da Saúde para evitar que pacientes com outras doenças graves deixem de ser atendidos.

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