Precisamos conhecer e quebrar preconceitos sobre a China, diz novo correspondente do 247

O Brasil 247 apresentou nessa semana seu novo correspondente na China, que ficará por cinco meses no país; de Juiz de Fora, Minas Gerais, Hélio Rocha comenta o atual momento político envolvendo o gigante asiático, como a política anti-China de Donald Trump e as críticas do governo Bolsonaro ao gigante asiático; assista

Precisamos conhecer e quebrar preconceitos sobre a China, diz novo correspondente do 247
Precisamos conhecer e quebrar preconceitos sobre a China, diz novo correspondente do 247

247 - O Brasil 247 apresentou nesta semana o seu primeiro correspondente internacional, o jornalista Hélio Rocha, que ficará por cinco meses na China, atualmente o principal parceiro comercial do Brasil. O intercâmbio terá o objetivo de apresentar a China aos brasileiros e fazer um contraponto à hegemonia dos Estados Unidos e da Europa Ocidental.

Hélio Rocha é de Juiz de Fora, Minas Gerais, e atuou, enquanto estudante de Jornalismo, como repórter de ciência da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Ainda durante a faculdade, ganhou uma bolsa para um intercâmbio na Faculdade de Coimbra, em Portugal. Depois de formado, Hélio trabalhou por dois anos como repórter de política no jornal Tribuna de Minas e também no site Pautando Minas. Foi repórter de meio ambiente e direitos sociais da Revista Plurale. Ele já foi correspondente anteriormente, na Namíbia e na Palestina.

À TV 247, o jornalista contou sobre sua realização em ter a oportunidade se ser correspondente na China pelo Brasil 247. "Agora que eu consegui chegar a um espaço que eu gostaria, que é o Brasil 247. Agora sim falando de política, com alinhamento bem à esquerda, que é o que eu sempre gostei de fazer, com liberdade editorial e ser um correspondente internacional em um país que é ainda muito desconhecido por nós, brasileiros. Eu tenho estudado muito sobre China e eu descubro muito sobre o quanto nos falta conhecimento sobre esse país que chegou a ser a principal potência do mundo no final da Idade Média. É muito mais do que qualquer país europeu e países árabes".

Ele também explicou como é o funcionamento da imprensa chinesa e como atuam os jornalistas no país. "Hoje eles assimilaram o modelo ocidental de jornalismo, em partes, com o China Daily e com a CCTV atualmente (parceira do 247). Você vai ver algumas coisas parecidas com as nossas, matérias de comportamento, de tecnologia e vai ver certa diferença nas matérias de política que não é aquela coisa de bater no governo como tem aqui na grande mídia. Eles replicam e analisam mais a comunicação oficial do governo, é o princípio do jornalismo chinês".

Hélio Rocha rebate as críticas sobre a China ser um país autoritário e afirma que os chineses rejeitam a interpretação de que seriam um império. "Estados autoritários que não consigam oferecer algum bem estar à sua população não sobrevivem por 70 anos. Então há algo que o governo chinês entrega muito bem à sua população e é isso que eu também quero conhecer".

O jornalista também refutou os argumentos de que a China é unipartidária, e lembrou que os Estados Unidos, que se posicionam como oposto ao governo chinês, são bipartidários. "A China não se afirma, e com certa legitimidade, um regime de partido único. A China tem oito partidos políticos, o Partido Comunista da China é o maior e tem partidos menores. Nos Estados Unidos há um regime bipartidário, aquilo lá é um partido só. Há uma ala mais liberal e financista, que é o partido Democrata, e outra ala mais imperialista e militarista, que é o partido Republicano. Os dois são linhas auxiliares do mesmo liberalismo atroz que a gente está vivendo no Ocidente".

Ele também explicou que o país tem uma outra postura, não muito conhecida no Ocidente, de Relações Exteriores. "A China trabalha com um conceito, que eles tentam apresentar ao mundo, de uma cooperação socialista entre os povos. O que é isso? Eu sou a China, eu sou o país socialista hoje mais rico do mundo, eu quero colaborar. É claro que eu vou ganhar, mas eu quero desenvolver outros países para que a gente possa crescer economicamente em uma caminhada conjunta".

Isso é o contrário da política norte-americana, que está pautada em fragilizar economias para ganhar dinheiro com elas. "Eles (chineses) se posicionam de forma diferente, eles gostam de fazer sempre um antagonismo ideológico em relação aos Estados Unidos a respeito do seguinte: os Estados Unidos são um país imperialista. Eles impõem as próprias ideias a outros países e buscam, ao máximo, fragilizar economias nacionais para conduzir economicamente o mundo por meio da introjeção de suas empresas", esclareceu.

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