Rússia diz que teste de míssil dos EUA aumenta tensões

Rússia acusa Estados Unidos pela "escalada de tensões militares" após o anúncio de Washington de seu primeiro teste de míssil de médio alcance desde a Guerra Fria, consequência do fim do tratado de desarmamento nuclear INF

Serguei Riabkov
Serguei Riabkov (Foto: Sputnik)

AFP - A Rússia acusou nesta terça-feira (20) o governo dos Estados Unidos por uma "escalada de tensões militares" após o anúncio de Washington de seu primeiro teste de míssil de médio alcance desde a Guerra Fria, consequência do fim do tratado de desarmamento nuclear INF.

Menos de um mês após o fim do tratado, que aboliu o uso por Estados Unidos e Rússia de mísseis terrestres com alcance de 500 a 5.500 quilômetros, a corrida armamentista parece ter recomeçado entre os dois rivais da antiga Guerra Fria.

O teste americano, que teve sucesso, aconteceu no domingo na ilha de San Nicolas, na costa da Califórnia, às 14H30 locais (18H30 de Brasília), segundo o Pentágono. O projétil era uma "variação de um míssil de cruzeiro de ataque terra-terra Tomahawk".

Imagens publicadas pelo exército americano mostram o míssil disparado a partir de um sistema de lançamento vertical Mark 41.

"Lamentamos tudo isto. O governo dos Estados Unidos toma de maneira flagrante o caminho de uma escalada de tensões militares, mas não cederemos à provocação", declarou o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Riabkov.

Para Riabkov, o "prazo extremamente apertado" que Washington precisou para executar com sucesso o teste demonstra que o governo americano estava preparado para o abandono do tratado assinado pelos dois países.

O diplomata afirmou que o uso do Tomahawk e do Mark 41 significa que "estes sistemas serão utilizados para o lançamento não apenas de mísseis interceptores, mas também de mísseis de cruzeiro", que têm longo alcance.

Rússia e Estados Unidos concretizaram no início de agosto o abandono do tratado sobre armas nucleares de médio alcance (INF), cuja assinatura no período final da Guerra Fria em 1987 acabou com a crise dos mísseis europeus, provocada pelo deslocamento na Europa dos SS-20 soviéticos com ogivas nucleares.

O presidente americano Donald Trump criticou o tratado no dia 1 de fevereiro e Moscou fez o mesmo no dia seguinte. Os países trocaram acusações de violação do texto.

Os americanos questionam especialmente o míssil russo 9M729, que tem alcance, segundo Washington, de 1.500 km, o que Moscou nega, insistindo que o novo projétil tem alcance máximo de "480 km".

As forças dos Estados Unidos posicionam há muito tempo mísseis de cruzeiro de médio alcance a bordo de navios de guerra, que geralmente são disparados a partir de sistemas Mark 41.

A novidade no teste de domingo foi o sistema de lançamento instalado em terra. O míssil era convencional, mas qualquer míssil pode posteriormente ser equipado com uma ogiva nuclear.

O presidente russo, Vladimir Putin, que visitou a França na segunda-feira, reiterou que Moscou não vai instalar novos mísseis enquanto Washington não fizer o mesmo.

Durante uma entrevista coletiva com o presidente francês, Emmanuel Macron, Putin acusou Washington de "não ouvir" Moscou. "Os europeus devem nos escutar e reagir", disse.

No início do mês, Putin solicitou a Washington um "diálogo sério" sobre o desarmamento para "evitar o caos". Ele propôs uma moratória sobre a instalação das armas nucleares proibidas pelo tratado INF.

Agora resta em vigor apenas um acordo nuclear entre os dois países: o tratado START, que mantém os arsenais nucleares dos dois países abaixo do nível da Guerra Fria e que expira em 2021.

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