"São políticas canalhas e assassinas", diz viúva de Saramago em ato pela Amazônia

"O Brasil precisa de respeito aos seres humanos e respeito ao planeta. Estamos vendo políticas que desrespeitam, são canalhas e assassinas. A Amazônia é do Brasil, mas é também de outros países da América Latina, e, sobretudo, é do planeta. Todo o planeta precisa da Amazônia e, por isso, temos que ser todos solidários", disse Pilar del Río, viúva do escritor José Saramago, em manifestação em defesa da Amazônia realizada em Lisboa

Pilar del Río
Pilar del Río (Foto: Ricardo Stuckert)

Sputnik - Manifestação em defesa da Amazônia decorreu em centro histórico de Lisboa. Ato contou com a participação da viúva de José Saramago, Pilar del Río. Participantes criticaram Bolsonaro e agronegócio.

Os atos contra queimadas na Amazônia agitaram Portugal mais uma vez. Nesta segunda-feira (26), em Lisboa, a presidente da Fundação José Saramago e viúva do escritor Nobel de Literatura, María del Pilar del Río Sánchez, considerou que as políticas de Jair Bolsonaro são "canalhas".

"Estou aqui hoje porque sou um ser humano. O Brasil precisa de respeito aos seres humanos e respeito ao planeta. Estamos vendo políticas que desrespeitam, são canalhas e assassinas. A Amazônia é do Brasil, mas é também de outros países da América Latina, e, sobretudo, é do planeta. Todo o planeta precisa da Amazônia e, por isso, temos que ser todos solidários", declarou Pilar del Río à Sputnik Brasil.

O ato levou centenas de pessoas ao Largo Luís de Camões, ponto emblemático do centro histórico da capital portuguesa e palco tradicional para manifestações populares. Entre os participantes estavam outras personalidades do mundo lusófono, como o escritor José Eduardo Agualusa, além de vários políticos.

A deputada Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda, cobrou uma manifestação de censura do governo de Portugal. "É em nome do agronegócio que a Amazônia está a ser destruída e não podemos permitir. Por isso, exigimos que o governo português tenha uma palavra de censura para com o governo brasileiro, porque há momentos em que o silêncio é cúmplice e não queremos que Portugal seja cúmplice desta catástrofe mundial", afirmou a deputada à Sputnik Brasil.

Boicote ao agronegócio 

O partido exige o cancelamento da possível visita do presidente Jair Bolsonaro a Portugal no início de 2020. Segundo Joana Mortágua, "não basta lamentar. Sabemos que o desmatamento na Amazônia tem responsáveis. Vamos continuar a acompanhar e não vamos faltar com nenhuma denúncia das atrocidades cometidas por Bolsonaro".

O protesto foi convocado por 32 organizações, que enviaram à imprensa um comunicado cobrando "um posicionamento do Governo português perante estes crimes contra a humanidade e o planeta" e também exigiram um "boicote de todos os produtos provenientes do agronegócio brasileiro".

Manifestação com arte

Os participantes protestaram com cartazes, música e outras expressões artísticas. A cozinheira Fernanda Veloso usou um segundo talento, o de artista que trabalha com pernas de pau, para se caracterizar como "Mãe Natureza" e, junto com o "Curupira", cobrar o fim das queimadas.

"É preciso aproveitar esse tema, que mexe com todas as pessoas, que gera mais empatia e quebra barreiras, para que o povo brasileiro desperte para o mal que o atual presidente tem feito. Espero que esse despertar seja potente e que consigamos trazer um reverso para essa situação", afirmou Fernanda à Sputnik Brasil.

Este foi o terceiro ato pela Amazônia em apenas quatro dias em locais públicos de Portugal. No último sábado, manifestantes saíram às ruas na cidade do Porto. Já na sexta-feira, uma vigília foi realizada em Lisboa.

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