Trump quer ajuda de Temer para derrubar Maduro

O jantar oferecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Michel Temer na próxima segunda-feira, em Nova York, tem um propósito: submeter o Brasil à política externa dos Estados Unidos e obter apoio para o isolamento da Venezuela, que possui as maiores reservas de petróleo do mundo; Trump ameaçou até intervir militarmente no país, mas a proposta foi rechaçada pelos países sul-americanos; governo norte-americano vê ditadura no país governado por Nicolás Maduro, mas se cala sobre o Brasil, onde um golpe parlamentar instalou um governo rejeitado por mais de 90% da população e comandado por um chefe de quadrilha, segundo a Polícia Federal

Temer e Trump se cumprimentam na cúpula do G20 em Hamburgo 8/7/2017 REUTERS/Ludovic Marin/Divulgação
Temer e Trump se cumprimentam na cúpula do G20 em Hamburgo 8/7/2017 REUTERS/Ludovic Marin/Divulgação (Foto: Leonardo Attuch)

247 – O jantar oferecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Michel Temer na próxima segunda-feira, em Nova York, tem um propósito: submeter o Brasil à política externa dos Estados Unidos e obter apoio para o isolamento da Venezuela, que possui as maiores reservas de petróleo do mundo.

"A crise na Venezuela deverá ser um dos temas principais do jantar que o presidente Donald Trump oferecerá na segunda-feira em Nova York ao brasileiro Michel Temer, ao colombiano Juan Manuel Santos e ao peruano Pedro Pablo Kuczynski. O encontro ocorrerá na véspera da abertura da Assembleia-Geral da ONU", informa a jornalista Cláudia Trevisan, correspondente nos Estados Unidos do jornal Estado de S. Paulo.

Trump ameaçou até intervir militarmente no país, mas a proposta foi rechaçada pelos países sul-americanos.

O governo norte-americano vê ditadura no país governado por Nicolás Maduro, mas se cala sobre o Brasil, onde um golpe parlamentar instalou um governo rejeitado por mais de 90% da população e comandado por um chefe de quadrilha, segundo a Polícia Federal.

Leia, abaixo, artigo de João Pedro Stédile, do MST, sobre a situação venezuelana:

Somos todos Venezuela

Por João Pedro Stédile

O povo brasileiro vem sendo bombardeado todos os dias por mentiras e manipulações da grande imprensa sobre a situação da Venezuela. As acusações vão desde um governo ditatorial, migração em massa, povo passando fome e até violência diária nas ruas da policia contra todos.

Vamos aos fatos. Desde que Chavez assumiu o governo eleito pelas urnas e assumiu em 1999, foram realizadas 18 eleições. Duas delas o governo perdeu. A oposição direitista governa três estados importantes...

Saíram do pais no ultimo ano em torno de 30 mil venezuelanos para Colombia e Brasil. Mas há na Venezuela 3 milhões de colombianos e mais de 15 mil haitianos, que não querem voltar a seus paises.

Venezuela é um pais grande importador de alimentos, e quem importa são empresas privadas e o governo. Nunca se gastou tantos dólares em importação de comida como agora.

De abril a agosto de 2017, a direita adotou a tática ucraniana de produzir o terror, o medo, o caos. Adotou as mais diversas formas de violência física e social, seguindo os manuais da CIA. Tudo era praticado por jovens mercenários e lumpens, pagos em dólar. Morreram nesse processo 125 pessoas. Cinco foram mortas pelas forças da ordem e 120 eram chavistas assassinadas pelos mercenários.

A resposta do governo foi convocar uma constituinte, para repactuar a sociedade, e o povo somou-se de forma massiva, ainda que as eleições sejam opcionais, e participaram mais de 8 milhões de eleitores, a maior participação dos últimos vinte anos. Com a eleição da constituinte o povo derrotou politicamente o terror e a tática ucraniana.

A oposição retirou-se das ruas com seus mercenários e agora vai participar com seus euros e dólares das eleições para governadores em 15 de outubro próximo.

Mas o império não se aquietou, e o panaca do Trump ameaçou com bloqueio eonômico, naval, e invasão militar! Santa paciência!, o imperador falastrão não conhece o povo da Venezuela, nem a America latina, nem as leis internacionais. Essa ameaça apenas serviu para coesionar ainda mais as forças armadas com o povo venezuelano. E uma agressão militar levaria a milhões de trabalhadores de toda America latina se manifestarem.

No fundo a disputa não é pelo governo Maduro, a disputa é pela renda petroleira, que durante todo século XX foi apropriada indevidamente pelas empresas Estadunidenses e por uma minoria ede oligarcas venezuelanos, que viviam como marajás! E isso acabou.

A obrigação de todos os militantes, de todas as pessoas de bem,de todos movimentos populares e partidos de esquerda, é defender o povo da Venezuela e o processo bolivariano.

Ou assumir que está do lado do império e de seus aliados mercenários dentro da Venezuela!

No Brasil, os movimentos populares e partidos políticos nos articulamos com mais de 60 entidades no comitê Paznavenezuela, para nos manifestar e apoiar de todas as forças possíveis a paz naquele páis. Voce pode aderir, entre na pagina com mesmo nome, e promova atividades de solidariedade em seu espaço social de atuação. www.paznavenezuela.org

Já os golpistas e sua imprensa no Brasil, seguem vomitando mentiras, como se tivessem alguma moral, de criticar algum governo de outro pais.

Mas a historia não falha, e no futuro as gerações saberão quem eram os golpistas e mercenários a serviço apenas do capital estrangeiro.

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