Vargas Llosa escreve sobre Alan Garcia para exaltar neoliberalismo

O escritor peruano Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura em 2010, escreve artigo sobre o ex-presidente Alan Garcia, que se suicidou nesta semana para não ser preso sob acusação de ter recebido propinas da Odebrecht. Vargas Llosa, que nas eleições presidenciais de 1990 foi derrotado por Alberto Fujimori, tornou-se um dos principais pensadores da direita neoliberal peruana e latino-americana. Sua maior crítica a Garcia é à tentativa de em seu primeiro mandato ter tomado medidas nacionalistas; o maior elogio é ter se dado conta, no segundo mandato, de que o "estatismo" é "incompatível com o desenvolvimento econômico"

Vargas Llosa escreve sobre Alan Garcia para exaltar neoliberalismo
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247 - O escritor peruano Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura em 2010, escreve artigo sobre o ex-presidente Alan Garcia, que se suicidou nesta semana para não ser preso sob acusação de ter recebido propinas da Odebrecht. Vargas Llosa, que nas eleições presidenciais de 1990 foi derrotado por Alberto Fujimori, tornou-se um dos principais pensadores da direita neoliberal peruana e latino-americana. 

No artigo, publicado neste domingo pelo jornal O Estado de S.Paulo, Vargas Llosa relembra encontros que teve com Garcia e traça o seu perfil: "Era um homem inteligente e simpático, mas algo nele me alertou e, no dia seguinte, fui à TV para declarar que não votaria em García, mas em Luis Bedoya Reyes. Não era um homem rancoroso já que, eleito presidente, ofereceu-me a embaixada na Espanha, que não aceitei". "Era mais inteligente do que a média daqueles que, em meu país, se dedicam à política, alguém que lia muito e um orador fora do comum".

O escritor critica em termos severos o primeiro governo de Garcia (1985-1990). "Foi um desastre econômico e a inflação chegou a 7.000%. Ele tentou nacionalizar os bancos, as seguradoras e todas as instituições financeiras, medida que não só acabaria arruinando o Peru, mas também eternizaria no poder o seu partido, Aliança Popular Revolucionária Americana (Apra), conhecido também como Partido Aprista Peruano (PAP)".

Elogia o segundo governo (2006-2011): "foi muito melhor do que o primeiro, embora, desgraçadamente, tenha sido arruinado pela corrupção, sobretudo a associada à empresa brasileira Odebrecht, que venceu licitações de obras públicas importantes corrompendo altos funcionários do governo" .

Ao refletir sobre a trajetória política de Garcia, Vargas Llosa, explicita o seu próprio reacionarismo neoliberal, ao considerar que Alan Garcia "se deu conta de que o estatismo e o coletivismo eram totalmente incompatíveis com o desenvolvimento econômico e, no seu segundo mandato, impulsionou o investimento estrangeiro, a empresa privada, a economia de mercado".

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