Vazamento ‘afeta seriamente’ reputação de Moro, diz ex-funcionária do governo dos EUA

Especialista em Relações Internacionais, Ana Janaina Nelson, que trabalhou no Departamento de Estado dos EUA no governo Obama, avalia que o escândalo revelado pelo Intercept "afeta seriamente a reputação de Moro no exterior, bem como a do procurador (Deltan) Dallagnol" e serve de lição para procuradores "deixarem suas opiniões políticas em casa"

Vazamento ‘afeta seriamente’ reputação de Moro, diz ex-funcionária do governo dos EUA

247 - A especialista em Relações Internacionais Ana Janaina Nelson, que trabalhou no governo de Barack Obama como oficial de Relações Exteriores no Departamento de Estado dos Estados Unidos, entre 2010 e 2015, avalia que o escândalo revelado pelo site Intercept Brasil envolvendo o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, além de procuradores do Ministério Público Federal (MPF-PR), "afeta seriamente a reputação de Moro no exterior, bem como a do procurador (Deltan) Dallagnol" e serve de lição para procuradores "deixarem suas opiniões políticas em casa". O relato da analista foi publicado na BBC Brasil.

O responsável pela divulgação sobre das conversas entre Sérgio Moro e Dallagnol pelo aplicativo Telegram foi o jornalista Glenn Greenwald, que se tornou conhecido mundialmente após revelar em 2013 como o governo Obama espionou comunicações de cidadãos americanos e estrangeiros, a exemplo da então presidente Dilma Rousseff. Naquele caso, s documentos haviam sido obtidos pelo analista de segurança Edward Snowden e divulgados por Greenwald no jornal britânico The Guardian, que ganhou em 2014 com essas reportagens o principal prêmio jornalístico dos EUA, o Pulitzer - reconhecimento dividido com o jornal americano Washington Post.

Filha de brasileiras, Ana Janaina Nelson diz que há em comum entre os dois vazamentos. "Há um viés político muito forte nos dois. Não se trata de uma simples entrega de informações, há muita análise e interesse politico envolvidos. Neste caso, o viés é favorável a Lula e contrário à prisão dele", afirma.

Segundo a pesquisadora, no caso anterior, o alvo era o governo americano. "Nas duas situações, as liberações de arquivos e documentos vêm junto com forte apelo político. Isso não é necessariamente um problema se os jornalistas estão tentando ser neutros", diz. "O problema é que muitas vezes é feito um grande alarde em torno de informações que não têm nada de nefastas e não são baseadas em fatos. Em outros exemplos, as revelações são importantes, merecem investigação e servem para aperfeiçoar a governos e a democracia."

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