Vitória russa na Crimeia revela nova ordem mundial

Neste domingo, chegará ao fim a chamada "Pax Americana", período em que os Estados Unidos agiram como superpotência global, sem nenhuma contestação; no referendo da Crimeia, maioria da população deverá se declarar a favor da anexação à Rússia; resolução americana que propunha não reconhecimento dos resultados pelas Nações Unidas foi vetada pela Rússia e contou ainda com a abstenção da China; nesta nova era, Vladimir Putin emerge como ator global e Barack Obama sai enfraquecido

Neste domingo, chegará ao fim a chamada "Pax Americana", período em que os Estados Unidos agiram como superpotência global, sem nenhuma contestação; no referendo da Crimeia, maioria da população deverá se declarar a favor da anexação à Rússia; resolução americana que propunha não reconhecimento dos resultados pelas Nações Unidas foi vetada pela Rússia e contou ainda com a abstenção da China; nesta nova era, Vladimir Putin emerge como ator global e Barack Obama sai enfraquecido
Neste domingo, chegará ao fim a chamada "Pax Americana", período em que os Estados Unidos agiram como superpotência global, sem nenhuma contestação; no referendo da Crimeia, maioria da população deverá se declarar a favor da anexação à Rússia; resolução americana que propunha não reconhecimento dos resultados pelas Nações Unidas foi vetada pela Rússia e contou ainda com a abstenção da China; nesta nova era, Vladimir Putin emerge como ator global e Barack Obama sai enfraquecido (Foto: Leonardo Attuch)
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247 - Neste domingo, nasce uma nova ordem mundial. Chega ao fim a chamada "Pax Americana", período de hegemonia norte-americana que vem desde a Segundo Guerra Mundial, e emerge um mundo multipolar, com atores capaz de enfrentar os Estados Unidos – e vencer. É o que acontecerá neste domingo, na Crimeia, quando a população for às urnas para se manifestar no referendo que decidirá se o território da república que já se declarou independente – e não mais pertence à Ucrânia – será anexado ou não pela Rússia.

Ao que tudo indica, a resposta será sim, no que representará uma vitória histórica do presidente russo Vladimir Putin, diante dos Estados Unidos. Depois de apoiar um golpe de estado na Ucrânia durante os Jogos de Inverno de Sochi, que permitiu a ascensão de grupos fascistas ao poder em Kiev, os Estados Unidos se dedicaram a pressionar a Rússia em todas as instâncias internacionais e também a utilizar sua poderosa máquina de propaganda contra o Kremlin.

Vladimir Putin, no entanto, não cedeu. Afiançou seu apoio à população de maioria russa que vive na Crimeia e argumentou defender o direito de autodeterminação dos povos. Ontem, em Londres, num encontro que durou seis horas, o chanceler russo Sergei Lavrov também não titubeou diante das pressões do secretário de Estado norte-americano, John Kerry. E, neste sábado, a Rússia, com apoio da também gigante China, impediu a aprovação de uma resolução das Nações Unidas que tornaria ilegal o referendo na Crimeia.

Portanto, neste domingo devem acontecer os seguintes resultados: (1) a população da Crimeia aprovará sua anexação pela Rússia; (2) o regime golpista de Kiev terá que administrar um país em crise e com território menor; (3) o Conselho de Segurança da ONU nada fará, em razão do veto da Rússia. Resumindo, Vladimir Putin venceu, Barack Obama perdeu.

Em seguida, virão supostas sanções contra a Rússia. Mas, neste jogo, os russos, que fornecem a maior parte da energia e do gás natural da Europa, podem mais do que seus adversários.

Leia, abaixo, reportagem do Opera Mundi sobre a decisão do Conselho de Segurança da ONU:

Rússia veta resolução na ONU para declarar inválido referendo na Crimeia

Decisão irritou EUA e União Europeia, que ameaçam tirar russos do G8; manifestantes protestaram em Moscou contra Putin 

A Rússia vetou neste sábado (15/03), no Conselho de Segurança da ONU, uma resolução que declarava inválido o referendo que deve se realizar neste domingo (16/03) na Crimeia sobre a incorporação da região ao território russo. A proposta, dos Estados Unidos, teve 13 dos 15 votos possíveis a favor. A China, que também tem poder de veto, se absteve.

O embaixador russo, Vitaly Churkin, defendeu que a resolução ia contra a igualdade de direitos da população da Crimeia e de seu direito à autodeterminação. Churkin afirmou que a Rússia defende o "princípio da integridade territorial dos Estados", mas ressaltou que o caso conta com características extraordinárias, citando o "golpe de estado inconstitucional realizado por radicais em Kiev" e a ameaça que isso representa para a população crimeana. Ele também lembrou que a Crimeia foi território da Rússia até 1954.

Agência Efe

Na foto, o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin; Conselho de Segurança vetou resolução contra referendo na Crimeia

O veto provocou fortes reações dos Estados Unidos e de países europeus. A embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, afirmou que o veto é “cúmplice” de uma “incursão militar ilegal”. “A Federação Russa tem o poder de vetar uma resolução do Conselho de Segurança, mas não tem o poder de vetar a verdade”, disse.

Já o presidente francês, François Hollande, alertou que a União Europeia não irá considerar válido o referendo e o chamou de “pseudoconsulta”. Em discurso à imprensa junto ao primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, Hollande pediu à Rússia que seja encontrada uma solução política que respeite a integridade territorial da Ucrânia, e disse que, se não houver um recuo, os europeus decidirão na segunda-feira (17/03) a imposição de sanções.

Expulsão

De acordo com uma reportagem da revista alemã Der Spiegel, o G8 estuda expulsar a Rússia do grupo por conta da intervenção do país na Ucrânia. Os outros sete membros – EUA, Alemanha, Japão, França, Canadá, Reino Unido e Itália – já teriam concordado com a ideia. 

Se entrar em vigor, a proposta, feita pelo governo britânico, irá trocar o local da próxima cúpula do grupo de Sochi (Rússia) para Londres, sem convidar representantes de Moscou. Um encontro bilateral entre alemães e russos, marcado para abril na cidade de Leipzig (Alemanha), também seria cancelado.

Agência Efe

Ucranianos assitem às notícias sobre a crise no país em telão instalado na praça da Independência, em Kiev

Dissolução

O veto da Rússia veio no mesmo dia em que o Parlamento da Ucrânia decidiu dissolver o Parlamento da Crimeia.  A resolução do Conselho Superior afirma que a suspensão do Legislativo é adotado em cumprimento à sentença do Tribunal Constitucional da Ucrânia, que na sexta-feira (14/03) declarou o referendo inconstitucional.

A decisão, no entanto, deve ter pouco efeito prático, já que a região praticamente se encontra sob domínio russo (mesmo com o referendo ainda a ser realizado).

Além disso, Kiev denunciou que os russos fizeram novas incursões militares na região de Kherson (a 540 km ao sul da capital, na fronteira com a Crimeia). De acordo com a imprensa ucraniana, por volta das 13h30 de hoje (hora local, 8h30 de Brasília), helicópteros desembarcaram pelo menos 40 soldados da Marinha das Forças Armadas da Rússia.

Os porta-vozes das forças russas anunciaram aos guardas ucranianos que o objetivo era defender uma instalação de distribuição de gás de possíveis atos terroristas.

Protesto em Moscou reuniu 50 mil pessoas, de acordo com os organizadores (3.000, segundo a polícia), contra intervenção na Ucrânia

Protestos

Pelo menos 50 mil pessoas, de acordo com os organizadores (3.000, segundo a polícia), marcharam neste sábado em Moscou contra o que chamam de “agressão do Kremlin” na Ucrânia.

Os manifestantes gritavam "Fora, Putin!" e "Não à guerra!" enquanto caminhavam com cartazes que diziam "Pela Rússia e Ucrânia sem Putin", "Putin na prisão" e "Nosso inimigo está no Kremlin". O protesto contou com a participação de duas integrantes do grupo Pussy Riot, que foram recentemente libertadas da prisão após encenarem na maior catedral do país uma “prece” contra Putin.

Outra passeata, também em Moscou – essa, a favor da intervenção na Crimeia e “contra o fascismo” – reuniu 15 mil pessoas, de acordo com a polícia.

Em Donetsk (a 700 km de Kiev), cidade de população predominantemente de língua russa, houve também manifestações a favor de Putin.

(*) Com Efe

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