Weisbrot: Governo Biden deve revelar papel dos EUA no impeachment de Dilma

Mark Weisbrot, pesquisador e co-diretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política em Washington, defende que caso Joe Biden vença a eleição presidencial norte-americana, o seu governo deve revelar qual foi a participação dos EUA no golpe contra Dilma Rousseff

Mark Weisbrot
Mark Weisbrot (Foto: Roberta Namour)
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Clarissa Carvalhaes, na Carta Capital - Co-diretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política em Washington, um dos thinks thanks mais influentes dos Estados Unidos, Mark Weisbrot se dedicou nos últimos anos a entender também a política e a economia da América Latina.

Na entrevista a seguir, Weisbrot discorre sobre as chances de reeleição de Trump, os reflexos do movimento “Vidas Negras Importam” no resultado das urnas e o que o governo Bolsonaro pode esperar se o candidato do Partido Democrata, Joe Biden, vencer a disputa.

CartaCapital: Entre Donald Trump e Joe Biden, quem tem o plano mais convincente para recuperar a economia dos EUA?

Mark Weisbrot: Os democratas claramente têm um plano melhor. É muito difícil prever o que Trump faria, pois ele vai além até mesmo do mais oportunista dos presidentes anteriores ao não ter nenhum objetivo político discernível ou crenças além de seu próprio autoengrandecimento. Então, temos de considerar as ideias do Partido Republicano. E, no momento, o partido prevalece sobre a disposição anterior de Trump de violar o conservadorismo fiscal neoliberal convencional, muitas vezes inconsistente. O governo Trump promoveu déficits fiscais de 4,9% do PIB anualmente, quando o desemprego estava no menor nível em 50 anos, algo que nenhum presidente “normal” faria.

CC: E como os republicanos se comportam neste caso?

MW: Os republicanos rejeitaram um pacote de ajuda de 3 trilhões de dólares aprovado em maio pela Câmara, controlada pelos democratas. O resultado imediato foi retirar um benefício de seguro-desemprego federal de 600 dólares semanais, que constituía a maior parte da renda de dezenas de milhões de desempregados. Os democratas, por outro lado, apoiaram o projeto de lei de alívio de 3 trilhões, que inclui uma extensão do seguro-desemprego e cerca de 900 bilhões para governos estaduais e locais. Isso indica, no momento, uma grande diferença entre as duas partes. De certa forma, esse é um momento muito importante para a política macroeconômica dos Estados Unidos, mas os democratas no poder têm uma chance muito melhor de fazer o que é necessário para a recuperação econômica. Qualquer recuperação, claro, dependerá do caminho da pandemia Covid-19. Também está claro que o governo Trump administrou mal o problema, desde o início. Seria outro motivo para esperar uma chance melhor de recuperação econômica com os democratas.

CC: Biden seria o melhor nome para derrotar Trump?

MW: Como velho conhecido dos norte-americanos, tanto por servir seis mandatos consecutivos como senador quanto por ser vice-presidente na chapa com Barack Obama, a imagem de Joe Biden é difícil de desconstruir. Não por acaso, Trump e seus estrategistas de campanha decidiram que o alvo a ser atacado é Kamala Harris, que atualmente sofre ataques racistas e sexistas, estratégia que funcionou no passado. Trump repete os ataques sexistas que usou contra Hillary Clinton, combinados com uma dose de racismo que faz parte de seu modus operandi, contra Kamala Harris. Não está claro, porém, se a estratégia terá muito impacto. Em uma pesquisa Gallup do ano passado, 94% dos entrevistados disseram que votariam em uma mulher para presidente, mas isso não quer dizer que os republicanos não tentarão usar o sexismo e o racismo contra Kamala Harris, ou que tais tentativas sejam irrelevantes.

Leia a íntegra na Carta Capital.  

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