A hora e a vez de Fernando Haddad

Se terminar bem avaliado seu primeiro mandato e for reeleito, já em 2018 o mais “novo” modelo de político que o PT apresenta ao país estará automaticamente credenciado a disputar a sucessão presidencial ou ao menos o governo paulista

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* Originalmente publicado no Blog da Cidadania

No primeiro dia de 2013, nos quatro cantos do país milhares de prefeitos tomarão posse, mas, ao longo dos próximos quatro anos, as atenções se voltarão àquela que promete ser a gestão municipal que mais terá potencial para influir decisivamente na grande política nacional.

Para quem gosta de misticismos ou de numerologia, o paulistano Fernando Haddad é um prato cheio. No próximo dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, já no comando da cidade ele cumprirá meio século de vida.

O simbolismo vem a calhar para a importância que terá a gestão do mais eminente membro da nova geração de políticos que o PT, por graça e obra do ex-presidente Lula, começou a dar ao país no primeiro dia do ano retrasado, com a posse da presidente Dilma Rousseff.

Não será fácil, porém, a missão do novo prefeito. Assume o comando de uma megalópole mergulhada no caos, ainda que, do ponto de vista financeiro, graças à boa situação do país não enfrente problemas de relevo.

E esse caos paulistano é bem visível, real e, aliás, foi ele que elegeu Haddad para governar a capital mais rica e problemática do país. Transporte, Saúde, Educação e Segurança Pública são os problemas mais evidentes, ainda que estejam longe de ser os únicos.

O que torna tão importante a gestão Haddad, portanto, é a resposta que dará à aflição em que se encontram mais de dez milhões de almas paulistanas que, como a maioria dos brasileiros na eleição de Lula em 2002, após anos a fio de má gestão demo-tucana apelam ao PT para consertar o estrago que a direita sempre faz quando governa.

Para ficarmos só em São Paulo, Luiza Erundina, então no PT, foi eleita para consertar o estrago de Jânio Quadros, e Marta Suplicy para consertar o de Paulo Maluf e Celso Pitta.

Tendo assumido o cargo de prefeitas de São Paulo após verdadeiras nuvens de gafanhotos que passaram pela administração da cidade, as petistas ainda tiveram que enfrentar a imprensa local, que, de longe, é a mais tendenciosa e partidarizada do país.

Erundina e Marta foram alvo da eterna campanha difamatória da imprensa conservadora do Sudeste contra o PT, desfechada contra elas com olhos postos na política nacional.  E em um momento em que o PT está sob o ataque mais furioso dessa imprensa, Haddad deve virar alvo em meses.

Durante a recente campanha eleitoral, o petista revelou-se um craque. Dono de oratória e presença de espírito impecáveis, deu um banho no experiente José Serra em debates nos quais nem parecia um neófito diante de uma velha raposa da política nacional.

Agora, porém, vem a parte difícil. Não será com retórica e frases de efeito que Haddad enfrentará a situação calamitosa em que está mergulhada uma cidade para a qual poucos veem solução real a curto e médio prazos.

O grande problema é que a população não quer… Ou melhor, não pode mais esperar. Viver em São Paulo se tornou uma verdadeira tortura. O povo não está disposto a esperar muito para começar a ver ao menos algum resultado.

Eleger prioridades e apresentar alguns resultados que simbolizem que um novo caminho começa a ser trilhado em 1º de janeiro de 2013 será, também, uma questão de sobrevivência política, pois Haddad já é visto pela direita midiática como uma retumbante ameaça.

Se terminar bem avaliado seu primeiro mandato e for reeleito, já em 2018 o mais “novo” modelo de político que o PT apresenta ao país estará automaticamente credenciado a disputar a sucessão presidencial ou ao menos o governo paulista. Não é pouco.

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