Antes tido como favorito, Jobim avisa: não contem comigo

Apontado como um dos favoritos em caso de uma eleição indireta para a Presidência, Nelson Jobim, que foi ministro dos governos FHC, Dilma e Lula, disse que não tem interesse no cargo; apesar de sonhar com a presidência da República há tempos — o ex-ministro já foi cotado para candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff em 2010 –, o BTG, banco do qual é sócio, parece um obstáculo às suas pretensões; Jobim enfrenta nas coxias a resistência de André Esteves, fundador e controlador do banco, que já se manifestou contrário à entrada do sócio na disputa

nelson jobim
nelson jobim (Foto: Giuliana Miranda)

247 - O ex-ministro Nelson Jobim recorreu ao clichê “mulher e emprego” para dizer que não é candidato a uma eventual sucessão presidencial. Citado como uma hipótese política viável em caso de renúncia ou destituição de Michel Temer, Jobim (filiado ao mesmo PMDB de Temer) almoçou nesta quinta-feira em São Paulo com cerca de cinquenta integrantes do mercado financeiro, num evento promovido pelo BTG Pactual, banco do qual é sócio. Ele não conseguiu se esquivar das perguntas da interessada plateia: Teria ele disposição para entrar na corrida eleitoral?

As informações são de reportagem de Julia Dualibi na Piauí

"Descontraído, com uma nesga de sorriso nos lábios, Jobim citou as duas razões do impedimento. A primeira delas seria o banco. Nesse momento, ele mexeu a cabeça procurando a cumplicidade do economista-chefe do BTG Pactual, Eduardo Loyo, de quem estava próximo. Loyo brincou dizendo que o “liberava”. A segunda, que nenhum comensal levou a sério, seria a suposta resistência de sua mulher Adrienne de Senna, ex-presidente do Conselho de Controle das Atividades Financeiras, o Coaf. Segundo ele, a patroa não gosta nem de ouvir falar da hipótese.

Apesar de sonhar com a presidência da República há tempos — o ex-ministro já foi cotado para candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff em 2010 –, o BTG parece um obstáculo às suas pretensões. Jobim enfrenta nas coxias a resistência de André Esteves, fundador e controlador do banco, que já se manifestou contrário à entrada do sócio na disputa. A opção Jobim, ele sabe, arrastaria novamente seu nome e o do banco para o centro da Lava Jato — tudo o que ele não quer nesse momento. André Esteves amargou 24 dias na penitenciária de Bangu, no Rio, em 2015, e ainda enfrenta processos na Justiça. Com Jobim no páreo, alguns planos de Esteves poderiam dar n’água. Há rumores de que o banqueiro estaria concluindo sua delação premiada, o que ele nega.

O BTG não é o único passivo de Jobim junto à força tarefa de Sérgio Moro. No início da Lava Jato, Jobim elaborou pareceres orientando a defesa de empreiteiras e chegou a depor como testemunha a favor do ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Azevedo, muito antes de o empresário – hoje delator – cogitar colaborar com a Justiça.

A saída Jobim tomou corpo depois da divulgação dos grampos da JBS, que complicaram a vida de Temer – alvo de inquérito por corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa. Nas bolsas de apostas dos corredores da política, o mais provável é que Temer renuncie ou seja cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral, no processo que analisa irregularidades na chapa Dilma-Temer na eleição de 2014.

Não à toa, PSDB e DEM, aliados do atual presidente, já buscam nomes de consenso – além de Jobim, estão cotados o presidente interino do PSDB, o senador Tasso Jereissati; o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do Democratas do Rio; a presidente do STF, Cármen Lúcia; e até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso."

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