As linhas que distanciam os dois maiores partidos do Brasil

A sociedade brasileira terá que escolher o caminho. Mas não é por falta de alternativa que vamos ficar emparedados pelos limites do nacional-desenvolvimentismo fora de lugar e suas convicções terceiro-mundistas

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Insisto hoje na série de artigos sobre as linhas que distanciam os dois maiores partidos do Brasil. Sem, é óbvio, achar que essa correlação estará mantida para todo o sempre por algum "decreto celestial" ou menosprezar forças políticas emergentes. Mas a disputa entre projetos que amadurecerá em 2013, preparando o ambiente da disputa presidencial de 2014, exige nitidez programática e explicitação dos fundamentos que inspiram cada alternativa.

Já mencionei aqui a visão em relação à questão democrática, ao papel do Estado, ao funcionamento da economia e à Federação, como pontos balizadores das diferenças entre PSDB e PT. Trato hoje do posicionamento frente ao mundo globalizado marcado por uma crise de hegemonia política nos Estados Unidos que se aproxima do chamado "abismo fiscal", por uma Europa sitiada por grave crise econômica sem horizonte visível de superação e por um capitalismo de Estado avassalador que projeta a China como maior economia mundial. Há diferenças substantivas que nos distanciam, tanto no plano da diplomacia internacional como dos desdobramentos da economia mundial.

O PT optou por uma reedição reciclada do terceiro-mundismo calibrada com uma aspiração de liderança mundial que nos levaram a um alinhamento problemático com governos autoritários no Irã, na Líbia, em Cuba e na América Latina. Os arroubos "bolivarianos" nas parcerias com Chávez e a Venezuela, com a Bolívia e Evo Morales e sua recente nacionalização das empresas espanholas da Iberdrola, com Cristina Kirchner e sua confusa política econômica e com Cuba, que ainda resiste ao restabelecimento da democracia, produzem desconfiança e afugentam investidores, embora a condução da política brasileira não se confunda com a de seus parceiros. Também na questão econômica, a dubiedade do governo Dilma e do PT emite sinais contraditórios ao patrocinar tentativas de consolidação de "players" globais e a atração de capitais estrangeiros nas concessões e PPPs, mescladas com intervencionismos e um protecionismo disfarçado, que mantém a economia brasileira como uma das mais fechadas do mundo.

O PSDB se coloca a favor de uma estratégia sem ambiguidades, que retome o velho e bom pragmatismo do Itamaraty, desidratando a retórica eivada de ideologia anacrônica, e que busque alianças estratégicas que permitam ao Brasil atrair investidores e desencadear um ousado movimento de inserção soberana e competitiva nas grandes cadeias produtivas mundiais. Isso implica ações de defesa comercial pontuais, mas numa agressiva integração global, já que o consumo interno é insuficiente para assegurar o desenvolvimento sustentado e as necessárias taxas de crescimento que temos condições de produzir.

Não é pouca coisa. A sociedade brasileira terá que escolher o caminho. Mas não é por falta de alternativa que vamos ficar emparedados pelos limites do nacional-desenvolvimentismo fora de lugar e suas convicções terceiro-mundistas.

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